Tempos atuais exigem dos arquitetos novas formas de atuar

Redação Enredes / 22 de março de 2022

Em um mercado em franca transformação, os profissionais de arquitetura precisam superar uma série de desafios para ampliar sua participação no desenvolvimento de empreendimentos alinhados às necessidades da sociedade. Nesse contexto, de que forma eles podem assumir maior protagonismo no mercado imobiliário? Essa foi a questão respondida no painel “Caminhos para a Inovação e Modelos de Negócio na Arquitetura”, que integrou a programação do  16º EDG — Encontro de Diretores e Gestores da Construção, promovido pelo CTE enredes no final de 2021.

Mediado por Sandra Leise, CEO do Cidad3, a mesa-redonda contou com a participação dos arquitetos Adriana Levisky (Levisky Arquitetos), Fernando Brandão (FB+ Architecture & Design), Maria Fernanda Silveira (Carvalho & Silveira) e Miriam Addor (Addor & Associados).

PROJETOS CADA VEZ MAIS COMPLEXOS

“Em um cenário onde as mudanças acontecem de forma muito veloz, os profissionais precisam investir em atualização e capacitação constantes”, disse Miriam Addor. Ela compartilhou a jornada de seu escritório, que nos anos 1990 identificou na compatibilização de projetos uma nova oportunidade de negócio. Para oferecer esse serviço, foi preciso adquirir e aprofundar conhecimentos sobre novas ferramentas de computação, entre elas o BIM (Building Information Modeling),  permitindo o desenvolvimento de projetos paramétricos e a colaboração avançada em nuvem. 

“A adaptação às novas tecnologias digitais é chave para que os arquitetos consigam produzir projetos cada vez mais complexos”, comentou Addor, citando como exemplo o trabalho realizado recentemente para o Cidade Matarazzo. O complexo de luxo, em construção em São Paulo, exigiu a coordenação e a compatibilização de 55 especialidades de projetos e envolveu a gestão de mais de 100 mil arquivos de documentos.

O Cidade Matarazzo também foi abordado pela arquiteta Maria Fernanda Silveira. Aos participantes do EDG, ela contou que esse projeto trouxe novas exigências para os profissionais envolvidos, seja por ser um empreendimento com metas ambiciosas de sustentabilidade, seja pela inovação e tecnologia embarcadas. 

Nesse caso, destacam-se como feitos da engenharia a restauração da capela Santa Luzia, sob a qual foram construídos andares de subsolo e um teatro, e a fachada do edifício Ayahuasca. Para viabilizar essa construção experimental, o projeto de Rudy Ricciotti foi modelado em BIM para permitir a pré-fabricação precisa de mais de 500 peças de concreto com 30 m de altura e 12 cm de diâmetro.  Os elementos reproduzem as formas orgânicas de cipós e serão revestidos com trepadeiras naturais. “Carregado de valor cultural, sustentabilidade e diversidade, o Cidade Matarazzo é inovador como empreendimento, como projeto e como construção”, resumiu Silveira.

NOVAS FORMAS DE ATUAÇÃO

A arquiteta Adriana Levisky apresentou novos modelos de produção capazes de gerar oportunidades para qualificação das cidades. Entre eles, o trabalho com normas e leis urbanísticas para apoiar a definição de estratégias e a estruturação de novos empreendimentos. Ela citou, como exemplos, mecanismos como os Termos de Cooperação, as Manifestações de Interesse Privado (MIPs) e os Projetos de Intervenção Urbana (PIUs).

No Cidade Matarazzo, foi firmado um Acordo de Cooperação que permitiu extravasar os limites do lote para desenvolver um projeto de requalificação urbana. “Em uma área de intervenção de 10 mil m² foi possível propor soluções como a construção de uma passagem inferior para entregar a rua ao pedestre e inserir soluções de infraestrutura sustentável não usuais na cidade”, citou.

ATUAÇÃO INTERNACIONAL

Com escritório na China desde 2009, Fernando Brandão acredita que o futuro irá exigir dos profissionais ainda mais ética e responsabilidade. Segundo ele, para desenvolver um design alinhado com os novos tempos, é preciso pensar em cinco princípios: conectividade, inclusão, sustentabilidade, identidade e humanidade. 

“A conectividade visa tornar a tecnologia mais amistosa aos usuários. A acessibilidade e a inclusão tornaram-se ainda mais imprescindíveis em um contexto global de envelhecimento da população”, disse Brandão. Ainda segundo ele, “os projetos, independentemente da tipologia, deverão contemplar requisitos rigorosos de sustentabilidade, serem racionais e utilizarem recursos locais. Além disso, deverão reforçar a identidade. É preciso entender a arquitetura como espaço existencial e o valor da memória afetiva e das referências histórico-culturais”, continuou ele. 

Brandão reforçou, ainda, a necessidade de os arquitetos valorizarem, em suas criações, o conceito de humanidade. “Devemos projetar para todos, buscando objetivos como a promoção da felicidade e do pertencimento”, concluiu.

ARTICULAÇÃO SETORIAL

Em suas falas durante o EDG, Levisky, Addor, Brandão e Silveira recomendaram aos profissionais maior envolvimento com entidades, instituições de ensino e grupos de trabalho. “Estar junto dos nossos pares é uma experiência de qualificação ética, humana e técnica”, disse Levisky. 

Miriam Addor concordou e afirmou que ao participar de uma entidade ligada à sua atuação, como a AsBEA e o CAU, o arquiteto consegue ampliar sua visão, bem como suas relações institucionais. “Ganhamos muito mais do que oferecemos, seja pelo networking, seja pelo exercício de escuta e posicionamento”, disse ela.

Promovido pelo CTE enredes, o 16º EDG reuniu a alta direção das empresas da construção civil para debater temas quentes e urgentes para o setor. Para assistir todas as palestras, não deixe de acessar o canal do enredes no YouTube!

ator Redação Enredes

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