Sustentabilidade em empreendimentos residenciais pode ser simples e viável

Redação enredes / 2 de junho de 2021

Por muito tempo a sustentabilidade esteve associada a custos de construção mais altos e a soluções complexas. Isso, porém, está longe de ser verdade, como ficou evidente no 4º webinar de 2021 promovido pelo CTE enredes no dia 27 de maio. Os participantes do evento mostraram que inserir sustentabilidade em empreendimentos habitacionais depende muito mais de iniciativa do que de investimentos. 

Motivação para o desenvolvimento de projetos com mais responsabilidade ambiental é o que não falta em um contexto dominado pelo movimento ESG (Environmental, Social, and Corporate Governance). “Até pouco tempo não havia demanda por residenciais certificados, era mais algo voluntário dos empreendedores. Agora é diferente. Os investidores definitivamente colocaram a sustentabilidade como um dos requisitos para aportar recursos”, comentou Ana Paula Costa, gerente de meio ambiente da Benx. 

“Os investidores querem ver que o seu dinheiro está sendo aplicado de forma correta e responsável”, explicou Fernando Souza, senior advisor da Paladin Realty Partners. Ele contou que a estratégia da sua empresa é ter fundos que efetivamente tragam impacto positivo através do capital investido. “É o investimento direcionado, com propósito ambiental ou social”, explicou Souza. 

CERTIFICAÇÕES AMBIENTAIS 

Durante o webinar, Adriana Hansen, gerente da unidade de Sustentabilidade do CTE, apresentou algumas certificações ambientais com aderência ao mercado residencial. A primeira delas é o selo Edge, lançado pelo IFC/Banco Mundial em 2011 para tangibilizar o desempenho ambiental em moradias.  

Focado em três áreas — energia, eficiência hídrica e materiais — o Edge se destaca pela plataforma online que permite simular cenários e avaliar o impacto de cada solução no projeto. “Ele quebra paradigmas por ser extremante simples e acessível”, adicionou Fernando Souza. 

Outras certificações aplicáveis são o Aqua-HQE, o GBC Casa & Condomínio e o Fitwel. Lançado no Brasil pela Fundação Vanzolini, o Aqua tem abordagem mais ampla e traz uma visão menos prescritiva em comparação às certificações norte-americanas. Já o GBC, desenvolvido para o mercado brasileiro pelo Green Building Council Brasil, possui estrutura parecida com o Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), amplamente utilizado em empreendimentos corporativos. 

Fitwel se diferencia dessas outras certificações por voltar-se à promoção de saúde e bem-estar. “Embora seja uma metodologia mais recente, ela possui mais de 2.100 projetos registrados em todo o mundo e tende a adquirir maior relevância porque enfatiza o indivíduo que utiliza o espaço construído”, disse Hansen. No Brasil, já são nove empreendimentos certificados com o Fitwel e 23 registrados. 

A Kallas é uma das construtoras e incorporadoras que investe na certificação de seus empreendimentos residenciais. O diretor-executivo de engenharia, David Fratel, contou que a empresa utiliza o Edge para projetos de padrão médio e o Fitwell, para os de luxo, a exemplo do Kronos Vila Madalena, em São Paulo. 

SUSTENTABILIDADE E CUSTO 

Além dos selos verdes, algumas práticas de baixo impacto financeiro podem adicionar eficiência e conforto aos empreendimentos habitacionais, inclusive nos de padrão econômico. Destacam-se, nesse sentido, iluminação LED, instalação de placas solares para aquecimento de água, elevadores de alto desempenho e instalação de bacias com duplo acionamento e torneiras de baixo fluxo. 

Há, também a possibilidade de desenvolvimento de usinas fotovoltaicas. “Em um projeto-piloto para um empreendimento do Programa Minha Casa Minha Vida, viabilizamos a construção de uma usina com capacidade de assumir 40% da energia das áreas comuns”, revelou Fratel. 

Na Benx, a estratégia para levar sustentabilidade às habitações populares se concentra no combo de soluções Economix, que visa reduzir o custo do condomínio e é composto por dispositivos como iluminação LED, reúso de água pluvial, painéis fotovoltaicos para geração de energia e equipamentos hidráulicos economizadores.  

Segundo Ana Paula Costa, da Benx, em projetos de alto padrão é possível ser ainda mais arrojado nas ações. Como exemplo, ela citou o Parque Global, empreendimento de uso misto composto por shopping center, complexo de inovação, saúde e educação, além de torres residenciais certificadas pelo Aqua-HQE. Com R$ 11 bilhões de VGV, o Parque Global recuperará um vazio urbano na zona sul da capital paulista e contará com paisagismo baseado em espécies da mata atlântica. O projeto prevê 58 mil m² de área verde e o desenvolvimento de um parque linear público, entre outras medidas que visam o bem-estar dos usuários. 

VISÃO AMPLIADA 

Para David Fratel, da Kallas, a durabilidade e o desempenho dos sistemas construtivos estão diretamente associados à redução de impactos ambientais. “Não existe sustentabilidade sem qualidade técnica”, reforçou Adriana Hansen, ressaltando que os materiais que almejam ser sustentáveis precisam, em primeiro lugar, atender as normas técnicas e garantir desempenho. 

Segundo ela, há sistemas construtivos industrializados e múltiplos dispositivos de automação que poderiam ser mais aproveitados para proporcionar benefícios construtivos e ambientais às moradias. “Porém, quando falamos em edifícios residenciais é importante assegurar  que essas tecnologias sejam simples e fáceis de operar”, concluiu Hansen.

20 recomendações dos participantes do webinar para a implantação de empreendimentos residenciais sustentáveis:

  • Mobilizar a cadeia produtiva para abraçar a causa da sustentabilidade;
  • Educar os clientes de empreendimentos imobiliários para a manutenção preventiva;
  • Para as construtoras: apadrinhar os pequenos empreiteiros e auxiliá-los com aspectos de gestão;
  • Minimizar riscos jurídicos e financeiros advindos das práticas de fornecedores e empreiteiros;
  • Desenvolver estratégias de suprimentos para controlar os custos da sustentabilidade;
  • Educar, informar e comunicar o consumidor para exigir sustentabilidade;
  • Investir em melhorias no entorno. O empreendimento não está restrito à sua matrícula;
  • Inovar e buscar novas tecnologias que reduzam o custo de construção sem comprometer a qualidade e a sustentabilidade;
  • Quebrar paradigmas e mostrar para o consumidor que tecnologias industrializadas são eficientes;
  • Entender que os esforços para sustentabilidade não são custo, mas investimento;
  • Explorar a arquitetura para maximizar a qualidade e o conforto das edificações;
  • Desenvolver programas de inclusão social e capacitação no canteiro;
  • Envolver-se com a elaboração de políticas públicas;
  • Minimizar os desperdícios e industrializar a construção;
  • Para investidores: direcionar capital para empreendimentos sustentáveis;
  • Adotar a premissa da sustentabilidade como propósito no desenvolvimento dos produtos imobiliários;
  • Desenvolver modelos de negócios que contemplem a sustentabilidade como premissa;
  • Melhorar a comunicação com os clientes sobre o valor dos empreendimentos certificados e com dispositivos sustentáveis;
  • Levar os conceitos da sustentabilidade e do ESG para os bancos das universidades;
  • Engajar os fabricantes para o desenvolvimento de materiais sustentáveis e para serem mais transparentes na comunicação com o mercado.

O próximo webinar do CTE enredes acontecerá no dia 10 de junho. Fique atento às nossas redes sociais e inscreva-se em nosso canal no YouTube para saber as novidades! 

Clique aqui para assistir na íntegra o webinar “Diferenciais que a sustentabilidade pode agregar aos empreendimentos residenciais”. 

ator Redação enredes

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