Setor financeiro se volta para a construção sustentável e para o ESG

Redação Enredes / 13 de julho de 2021

No Brasil e no mundo, o sistema financeiro tem direcionado ações para impulsionar uma economia socialmente mais justa, ambientalmente sustentável e apoiada em boas práticas de governança.

Grandes gestores de recursos e fundos de pensão vêm liderando esse movimento após colocar o ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês) no centro de suas decisões de investimento. Bancos que disponibilizam crédito para a construção e para a compra de imóveis, por sua vez, têm buscado incentivar práticas ESG desde o projeto à operação das edificações. Executivos da Caixa Econômica Federal e do Santander mostraram como isso vem acontecendo no 6° webinar CTE enredes, realizado no último dia 08 de julho de 2021.

Na Caixa, a atuação se concentra no programa Selo Azul, que oferece taxas de juros até 0.25% menores para empreendimentos certificados. “Recém-remodelado, com critérios de avaliação mais modernos, o programa passa a emitir o certificado quando a obra recebe o Habite-se”, explicou Simone Monice, gerente executiva de normas e padrões do banco.

Já o Santander mantém uma equipe socioambiental interna para analisar os impactos e compensações de cada projeto. “O objetivo é oferecer condições de contratação diferenciadas para os empreendedores”, explicou Sandro Gamba, diretor de negócios imobiliários no Santander Brasil. Segundo ele, o banco vê com bons olhos projetos de recuperação de áreas degradadas, que promovam a reocupação de regiões centrais e que tenham certificações de terceira parte comprovando o atendimento a requisitos de sustentabilidade. 

CERTIFICAÇÕES AMBIENTAIS

“Hoje, não faltam referenciais técnicos para apoiar o desenvolvimento de empreendimentos residenciais sustentáveis”, comentou Roberto de Souza, CEO do CTE enredes. Além do Selo Azul da Caixa, há o Aqua, o GBC Casa & Condomínio, o Procel Edifica, o Edge e as certificações de saúde e bem-estar (Well e Fitwell). Há, também, o Gresb, uma ferramenta de benchmarking global para fundos de investimentos.

“As certificações e as práticas ESG tendem a adquirir cada vez mais relevância na tomada de decisão dos financiamentos e nas operações estruturadas do mercado imobiliário”, disse Gamba. “Se hoje ter um certificado significa acesso a produtos financeiros melhores, no futuro esse será um pré-requisito para acessar qualquer tipo de financiamento”, disse o executivo.

MERCADO PULVERIZADO

Na esteira do movimento ESG, o interesse das incorporadoras por selos verdes é crescente, inclusive em novas regiões, como Bahia, Rio Grande do Norte e Goiás, revelou Felipe Faria, CEO do Green Building Council Brasil. “No segmento habitacional de média e alta renda, o principal interesse é por conforto, saúde e bem-estar, seguido de eficiência operacional. Mas à medida que crescem os incentivos financeiros, o aspecto econômico tende a se destacar entre as motivações para se buscar uma certificação de sustentabilidade”, avaliou.

Uma rota inevitável para obter edificações mais sustentáveis é a industrialização da construção. Para viabilizá-la, porém, os agentes financeiros também precisam desenvolver novos produtos capazes de se ajustar a um ciclo de produção mais curto em decorrência das obras mais velozes.

Na Caixa, o financiamento na planta com o crédito associativo é uma alternativa. “No Santander, temos simulado diferentes cenários com a redução do prazo de execução da obra”, disse Gamba, ressaltando que obras mais rápidas significam menor exposição ao risco.

Os incentivos para a construção de edifícios e de empreendimentos de escala urbana mais sustentáveis vêm, também, de órgãos públicos. Felipe Faria contou que, em Salvador (BA) já há o IPTU Verde, uma ação da prefeitura que oferece descontos no imposto para impulsionar a adoção de estratégias de sustentabilidade em novos empreendimentos imobiliários. Em Guarapuava (PR) foi criado um processo de licenciamento mais ágil para empreendimentos certificados como smart cities. “Todos esses benefícios aumentam a nossa responsabilidade de subir a régua, tornando as exigências técnicas mais rígidas”, disse Faria. Segundo ele, a maior preocupação é que com pouco esforço já seja possível acessar tais incentivos.

Fontes: Simone Monice, Sandro Gamba, Felipe Faria e Roberto de Souza.

Clique aqui para assistir o webinar “Incentivos dos agentes financeiros à construção sustentável e ESG” na íntegra.

ator Redação Enredes

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