O status dos sistemas industrializados para vedações e revestimentos

Redação Enredes / 11 de agosto de 2021

O desenvolvimento de soluções construtivas industrializadas para aplicação em diferentes etapas de uma obra é chave para que o setor dê um salto de eficiência, produtividade e sustentabilidade. Nessa rota de desenvolvimento, a indústria tem trabalhado, em parceria com construtores e arquitetos, em soluções que permitam substituir modos de produção arcaicos e ineficientes. O resultado são materiais, produtos e sistemas capazes de combinar velocidade de execução, custo competitivo e atendimento aos requisitos de desempenho.

O 6º Workstation da Rede Construção Digital e Industrializada (RCDI), realizado no último dia 3 de agosto, mostrou como esse movimento de transformação vem acontecendo. Na oportunidade foi possível notar que quando diferentes elos da cadeia se unem em busca de soluções para uma dor, os resultados tendem a ser muito positivos.

“Outra constatação foi a de que o conceito da construção off-site — com componentes produzidos fora do canteiro com mais eficiência e controle — é muito amplo e pode ser aplicado para vários subsistemas”, comentou Roberto de Souza, CEO do CTE Enredes.

INDUSTRIALIZAÇÃO DE ARMADURAS

A programação foi iniciada com palestra de Jorge Nakajima (Satoro), gerente de produção no França & Associados. Ele discorreu sobre a industrialização das armaduras para estruturas de concreto armado no Moov Freguesia, um empreendimento residencial da Gafisa com 21 pavimentos-tipo. O edifício com apartamentos de 45 a 58 m², utilizou o sistema de paredes de concreto erguidas com auxílio de formas trepantes.

Para agilizar a execução, reduzir o número de profissionais dedicados à armação e tirar mais proveito da industrialização do sistema construtivo adotado, a construtora optou pelo uso de armação (telas e gaiolas) pré-montadas e soldadas na indústria. Os elementos chegavam à obra com etiquetas de identificação para facilitar a montagem. 

Satoro conta que para que os ganhos de produtividade se concretizassem sem detrimento da qualidade, o projeto para a execução das peças foi conduzido de forma especial. “Gasta-se mais tempo para desenvolver esse tipo de projeto, mas isso pode ser compensado com a agilidade da obra”, disse ele. Ele lembrou que também há uma diferença de custos entre o aço cortado e dobrado e a armadura pronta. Isso se deve, em grande parte, ao preço do frete, visto que a armadura pronta ocupa mais espaço no transporte. “Mas a comparação de custos precisa ser global e considerar os custos indiretos decorrentes da diminuição de pessoas no canteiro e da maior agilidade”, ponderou ele.

VEDAÇÕES DE DRYWALL

Paula Petroni, gerente técnica de vendas na Saint-Gobain e Roberto Junior, diretor técnico na Trisul, mostraram como o drywall pode proporcionar eficiência quando bem utilizado. “Com o drywall, apenas duas horas após a montagem, a parede já está pronta para receber revestimento. Além disso, o desenvolvimento de placas especiais possibilitam o uso dessa solução inclusive em paredes que receberão cargas, sem a necessidade de executar reforço. Isso significa mais flexibilidade para o usuário e agilidade de execução na obra”, disse Petroni.

O Eleve, empreendimento residencial de médio-baixo padrão da Trisul, utilizou essa solução. A obra também empregou drywall em 100% das paredes dos banheiros e na vedação entre a sala e a varanda. Nesse último caso, a opção foi por placas de gesso glass mat produzidas com aditivos especiais e revestidas nas duas faces por véu de vidro e composto polimérico. 

“Quando especificado e executado da forma correta, o drywall não apresenta problemas de manifestações patológicas”, afirmou Roberto Junior, revelando que a construtora obteve redução de 25% a 30% de prazo de execução com a combinação de soluções como armaduras prontas e drywall. Outros benefícios registrados foram a maior precisão dimensional e a sustentabilidade, já que a vedação seca gera de 10 a 20% do resíduo de uma obra convencional e essa sobra ainda pode ser reciclada.

Roberto Junior explicou que muito desse ganho se deve à abordagem ampla da industrialização pela Trisul. “Não adianta inserir uma tecnologia que proporcione ganho de produtividade se você vai perder essas conquistas executando artesanalmente as etapas seguintes”, disse ele.

VEDAÇÕES EXTERNAS

O estudo para a viabilização do Edifício Ester, em São Paulo, buscou desenvolver soluções de projeto que permitissem tirar partido do conceito de modularidade e de uma construção 100% industrializada, sem implicar em elevações de custo exorbitantes.

Com três pavimentos, o prédio foi concebido para locação e priorizando a abreviação do prazo de execução. O projeto dos arquitetos do escritório Kröner & Zanutto previu estrutura em madeira engenheirada e fachada ventilada com painéis metálicos perfilados cegos, de vidro e mistos, criando uma volumetria dinâmica. 

O arquiteto Alexandre Kröner contou que, ainda na fase de estudo preliminar, foram definidos a modulação e os acabamentos, incluindo a interação entre os diferentes materiais e sistemas. “A paginação foi desenvolvida com as peças prontas a partir das medidas fornecidas pelo fornecedor”, contou ele, lembrando que 

um cuidado importante em obras com sistemas industrializados é resolver previamente todos os arremates, incluindo emendas horizontais, perfis de acabamento e emendas verticais. 

“No caso do edifício Ester, esse trabalho prévio permitiu que a arquitetura tirasse proveito dos elementos de acabamento para criar uma personalização”, acrescentou Gabriela Mantovani, especificadora técnica na Kingspan Isoeste. Ela destacou a importância de os arquitetos considerarem questões de escala e produtividade da indústria na hora de projetar com revestimentos industrializados para fachadas. “Também é fundamental que os fornecedores procurem trabalhar melhor as informações técnicas e as questões de integração entre os produtos industrializados”, continuou Kröner.

PORTAS INDUSTRIALIZADAS

Durante o workstation da RCDI, Renata Netto, coordenadora-técnica na Multidoor, abordou a evolução do uso do sistema porta-pronta, que prevê a transformação de vários componentes, incluindo dobradiças, fechaduras e alizares, em um kit pré-fabricado que atenda a especificações por desempenho. 

“Mesmo com um sistema industrializado, é possível ter possibilidades de flexibilização”, explicou a arquiteta, ressaltando que a padronização da altura e da largura da folha da porta é importante para obter as soluções de custo mais competitivo. “Outra recomendação é entender quais os requisitos são realmente parâmetros qualitativos para a comparação das portas para cada uso”, continuou Netto, citando exemplos de aplicação, como no Rio Mar Trade Center, em Recife. Nesse empreendimento foi possível ajustar um projeto inicialmente concebido para execução em marcenaria, às portas piso industrializadas com ganhos de produtividade e qualidade.

FACHADA VENTILADA

Encerrando a programação do evento da RCDI, Fernando Meneguello, especialista técnico na Portobello, e Eduardo Henrique dos Santos, gerente geral de obras na Even, apresentaram o case Facto Paulista. Trata-se de um complexo residencial e corporativo em São Paulo que se destaca pela fachada colorida.

Para viabilizar a linguagem definida pelos arquitetos do escritório Königsberger Vannucchi, foi utilizado um sistema de fachada ventilada com placas de porcelanato produzido em quatro cores especiais. “A fachada ventilada nos permitiu sair do monocromático, além de ser uma solução construtiva alinhada com as nossas preocupações com produtividade, qualidade, sustentabilidade, eficiência energética e conforto”, revelou Santos. Ele explicou que a Even tem utilizado essa tecnologia de revestimento no embasamento dos edifícios, mas que o plano é ampliar esse uso em função de vantagens como agilidade de execução, redução de manifestações patológicas e facilidade de manutenção.

“Investir em projetos bem detalhados é fundamental para obter sucesso com os sistemas industrializados”, adicionou Meneguello, lembrando que a fachada ventilada também é uma solução muito indicada para retrofits.

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ator Redação Enredes

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