IoT e outras tecnologias para gestão de edifícios e pós-obra

Redação Enredes / 6 de outubro de 2021

A utilização de soluções digitais na operação dos edifícios e na etapa de assistência técnica pode gerar uma série de economias financeiras, reduzir impactos ambientais e ainda melhorar o relacionamento das empresas com seus clientes. As oportunidades de ganhos proporcionadas por soluções como Internet das Coisas (IoT), digital twins e plataformas digitais foram debatidas durante o 7º Workstation da Rede Construção Digital e Industrializada (RCDI) realizado no dia 14 de setembro. 

O evento, que reuniu mais de 70 profissionais de empresas associadas à Rede, contou com programação extensa, iniciada com palestra de Wagner Oliveira, diretor da Unidade Operação Sustentável do CTE. Ele discorreu sobre a operação de edifícios com foco em redução no consumo de água e energia. Segundo Oliveira, as mudanças climáticas, o custo e a escassez de energia e de água, assim como a pressão por redução de impactos ambientais intensificam a necessidade de os edifícios serem mais eficientes. 

Atualmente, cerca de 80% de todo o impacto ambiental de uma edificação ocorre durante a operação. Para adicionar sustentabilidade a essa etapa, a abordagem proposta por Oliveira contempla quatro etapas. A primeira é a elaboração de um projeto com todas as disciplinas integradas, incluindo a automação. Na sequência, há o embarque de tecnologia, analisando como ela vai se comportar a longo prazo. Uma fase importante é o comissionamento completo e contínuo em todo processo, inclusive no pós-ocupação. Por fim, são elaborados os planos de operação e de manutenção. 

“Um desafio é fazer com que as soluções embarcadas gerem os resultados esperados”, destacou Oliveira, revelando que de 5% a 30% da energia consumida nos edifícios é desperdiçada pelo uso indevido de tecnologias existentes. Os smart buildings  — com sistemas integrados, redes de IoT, devices inteligentes e softwares para análise de dados possuem recursos para evitar tais perdas. Ele citou, como exemplo, os sistemas de monitoramento de insumos (energético e água) baseados em sensores com capacidades de analisar as informações e comunicar os operadores quando performance sai do padrão, permitindo intervenções rápidas e minimizando desperdícios. 

Gêmeos digitais

Na sequência, Fernanda Machado e Joyce Delatorre,  technical sales specialists na Autodesk, abordaram uma novidade tecnológica para operação predial que tem despertado muita curiosidade: os gêmeos digitais.

Aplicado para monitoramento e controle de sistemas e espaços em tempo real e para a produção de inventários digitais, “o  digital twins consiste em uma representação virtual de entidades e processos do mundo real, sincronizado com frequência e fidelidade específica conforme a estratégia de negócio”, comentou Machado. Ela explicou que a construção de um gêmeo digital precisa estar atrelada a um resultado específico do negócio. “Se o objetivo é reduzir o consumo e energia do ativo, é importante que isso seja definido a priori para que o gêmeo digital faça sentido do ponto de vista operacional”, disse Machado.

O ponto de partida da Autodesk é viabilizar o gêmeo digital descritivo com o lançamento do Tandem, solução disponível gratuitamente para projetos com até 1 mil ativos tagueados. Segundo Delatorre, a ferramenta permite que as equipes aproveitem os dados do Building Information Modeling (BIM), transformando o ciclo de vida dos ativos integrados em um processo totalmente digital. “Trata-se de uma plataforma baseada na nuvem que permite que os dados sejam facilmente acessados para melhorar a eficiência operacional e permitir a manutenção preditiva”, resumiu ela.

Ar condicionado e elevadores mais inteligentes

O monitoramento remoto de sistemas de ar condicionado foi abordado por Cláudio Pereira, senior application and service manager na LG, que enfatizou o Beacon (Building Energy Control) HVAC Solution. A plataforma em nuvem baseada em IoT possibilita um monitoramento básico por smartphone ou notebook. Ela também permite o monitoramento mais amplo via Intellytics, sistema de diagnóstico que realiza ações preditivas, agregando economia na operação e evitando falhas nos equipamentos. “O Intellytics viabiliza, inclusive, avaliações à distância, dispensando o técnico de ir fisicamente até o local da instalação, agregando confiabilidade, redução de custos”, comentou Pereira.

Lucas Severo, consultor de projetos na TKE, apresentou a tecnologia Max, que também se baseia em IoT, mas para transformar a manutenção preditiva de elevadores, elevando a disponibilidade dos equipamentos. O Max permite a coleta de dados das máquinas para análise em nuvem por algoritmos que determinam o status operacional do equipamento e a saúde dos componentes. “Com isso, diagnósticos precisos e preditivos são entregues aos técnicos em tempo real, permitindo reparos e serviços mais eficientes”, comentou Severo, reforçando que a tecnologia coloca a manutenção de elevadores em um novo patamar, com melhor qualidade, mais transparência nas informações e maior segurança. Segundo ele, com o Max é possível garantir acréscimo de até 50% do tempo de atividade dos equipamentos.

Inovação para o pós-obra

A implantação de uma plataforma digital para gestão de assistência técnica na MPD Engenharia foi apresentada por Alexandre Kiu e Luciana Rossetto, respectivamente coordenador de obras e analista de marketing na MPD, e por Cleber Francischini, head de produtos na Senior Sistemas. Segundo eles, o processo manual anteriormente utilizado pela construtora trazia uma série de inconvenientes, como históricos de processos incompletos e  controles pouco confiáveis. “A plataforma de gestão integrada ao CRM veio para organizar esses itens e para padronizarmos os procedimentos em todas as áreas de assistência técnica. Ela também permite o registro dos atendimentos completos, a interação dos usuários na plataforma, assim como índices de controle mais confiáveis e atualizados”, destacou Kiu.Finalizando a programação do Workstation da RCDI, Jean Sacenti,  CEO e co-fundador na Predialize, apresentou um conjunto de soluções Saas (software as a service) que adicionam inteligência ao pós-obra realizado pelas construtoras. Ele lembrou que esta etapa costuma ser bastante crítica, gerando desgastes no relacionamento com os clientes, comprometimento da imagem da empresa, além de despesas elevadas e conflitos jurídicos. “Com módulos de softwares para pós-vendas e para gestão da assistência técnica e das manutenções preventivas, é possível obter ganhos importantes. Entre eles, diminuir a quantidade de atendimentos desnecessários, chamados improcedentes e elevar a inteligência estratégica da gestão para antecipar problemas, em vez de apenas reagir a eles”, finalizou.

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ator Redação Enredes

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