Gestão e controle de qualidade nos canteiros atingem novo patamar com a digitalização

Redação Enredes / 27 de julho de 2021

Estratégica para garantir eficiência e produtividade, a digitalização dos canteiros de obras avança no Brasil graças a tecnologias como BIM (Building Information Modeling), drones e softwares como serviço (SaaS). Essas, entre outras soluções, têm sido incorporadas aos processos de construtoras e incorporadoras de diferentes portes e mercados de atuação, como mostrou webinar “Transformação digital aplicada nos canteiros de obras” realizado pelo CTE enredes no dia 22 de julho.

BIM NOS CANTEIROS

Focada na construção de habitação econômica no Paraná, a Prestes, por exemplo, utiliza plataformas digitais para controle de entrada de colaboradores nas obras, verificações de qualidade e acompanhamento de assistência técnica, além de projetos em BIM, revelou Aline Nadolny, gerente de supply chain na construtora. Na visão dela, “a modelagem da informação é o esqueleto em torno do qual a transformação digital dos canteiros acontece”.

A Tarjab, construtora e incorporadora com atuação em São Paulo, também aposta no BIM no processo de digitalização de seus canteiros de obras. “A modelagem da informação precisa puxar a construção virtual e a simulação de desempenho para elevar a produtividade”, analisou o diretor técnico da construtora, Sérgio Fernando Domingues. Ele contou que a Tarjab utiliza a modelagem para apoio ao planejamento (BIM 4D), para a extração de quantitativos (5D) e para auxiliar a execução em campo. Nesse último caso, a contribuição do modelo 3D se deve à visualização mais clara e didática de serviços, como a montagem de armaduras de punção e a execução de contrapisos em andares-tipo.

DRONES PARA USOS DIVERSOS

Especializada no desenvolvimento de empreendimentos horizontais, bairros planejados e núcleos urbanos, a Alphaville Urbanismo tem colhido bons frutos com o uso da modelagem da informação. “O BIM nos ajuda a melhorar a compreensão dos projetos, a resolver incompatibilidades, além de nos dar acesso a outras tecnologias como a realidade aumentada”, revelou o diretor de operações da empresa, Gualter Afonso. 

Ele contou que outra solução de grande valor para a Alphaville é a captação de imagens por drones para medições, acompanhamento da execução e detecção de problemas de compatibilização. “O drone realiza voos autônomos sobre a área do empreendimento e gera uma nuvem de pontos, agregando muita velocidade na captação de informações”, disse ele.

Quem também tem recorrido aos veículos não tripulados é a Tarjab, que utiliza a tecnologia para a aquisição de terrenos e para o acompanhamento de terraplenagem durante a execução da obra. “Mais recentemente começamos a usar os drones também para conferência de alguns serviços externos de fachada”, revelou Domingues.

GESTÃO MAIS ASSERTIVA

Na Even, construtora e incorporadora de atuação concentrada nas regiões metropolitanas dos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, o arsenal de tecnologias digitais adicionadas às atividades do canteiro é bastante vasto. Rubens Anjos, gerente de obras, qualidade e sustentabilidade, contou que essas soluções têm proporcionado ganhos significativos de eficiência, diminuição de erros, mitigação de riscos, integração de rotinas, redução de volume de papel e maior assertividade na tomada de decisão. 

A Even utiliza, entre outras plataformas, sistemas para gestão de projetos (Autodoc Projetos), controle de acesso (Autodoc GD4), captação de informações e geração de indicadores (SnagR e Microsoft Power BI), além de softwares para verificação eletrônica de serviços, medição de consumo de água energia no canteiro, avaliação de fornecedores e para apoiar a vistoria das unidades no momento da entrega.

O QUE FALTA?

Durante o webinar do CTE enredes, os participantes comentaram alguns desenvolvimentos que, em suas visões, ajudariam a resolver dores importantes das construtoras, mas que ainda não são consolidadas no mercado nacional. Uma delas, mencionada por Gualter Afonso, é a inteligência artificial aplicada ao processo de geração de dados por imagem.

“Há todo um arcabouço tecnológico que inclui big data, inteligência artificial e ciência de dados que tende a se destacar como solução para transformar dado em informação para apoio à tomada de decisão”, complementou Roberto de Souza, CEO do CTE.

Para Aline Nadolny há, ainda, uma demanda por tecnologias para automatizar atividades de controle de custos, relacionadas aos processos de orçamentação e planejamento, bem como para o controle de estoques. “O grande desafio, porém, é integrar essas novas soluções com a rotina dos profissionais que estão na ponta dos processos, como o almoxarife e o assistente de almoxarife”, concluiu a gerente da Prestes.

Quer assistir o webinar “Transformação digital aplicada nos canteiros de obras” na íntegra? Então clique aqui para acessar o canal do CTE enredes no YouTube.

ator Redação Enredes

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