Construtoras compartilham suas estratégias de inovação e transformação digital

Redação Enredes / 9 de fevereiro de 2022

A aproximação com o ecossistema de inovação e o investimento na transformação digital têm gerado vantagens competitivas importantes para grandes companhias do setor. Entre os frutos colhidos por empresas como Cyrela, Gafisa e MRV, é possível citar a redução de custos e de desperdícios nas obras, melhorias na jornada de compra de clientes, além do desenvolvimento de produtos com maior valor agregado. “Costumamos ouvir que a cadeia da construção civil é atrasada. Mas um movimento interessante está acontecendo, especialmente impulsionado por grandes empresas e startups”, afirmou Guilherme Sawaya, diretor de transformação digital na Cyrela. 

Durante o 16.º EDG — Encontro com Diretores e Gestores da Construção, realizado em novembro de 2021, Sawaya contou como a criação de uma cultura de inovação tem sido importante para a Cyrela maximizar seus resultados. “Fazemos um trabalho intenso através de palestras e outros conteúdos. Afinal, se as pessoas não entendem a importância da inovação para suas próprias carreiras, as mudanças simplesmente não acontecem”, disse ele, lembrando que a Cyrela possui cerca de 3500 colaboradores.

A construtora e incorporadora também mantém projetos para resolver dores previamente identificadas em diferentes áreas. “A saída pode estar em uma startup do mercado ou ser desenvolvida em casa através dos squads de inovação na área de tecnologia”, destacou Sawaya. Segundo ele, não é preciso ser um grande player do setor para se plugar ao movimento de inovação e evitar a obsolescência. “Basta estar aberto e despender um pouco de energia”.

INOVAÇÃO PARA RETORNAR AO TOPO

Na Gafisa, a inovação é vista como o grande motor de transformação capaz de recolocá-la na liderança do mercado. Por isso, foi criado um comitê de inovação que se reúne quinzenalmente, alimentado pelo Inova Gafisa, programa para fomento de novas ideias. 

“Temos mais de 500 startups mapeadas com soluções que fazem sentido para o nosso negócio. Nesse grupo, há 50 construtechs e proptechs que já fazem algum trabalho na empresa, equacionando dores internas da nossa operação”, comentou o CEO da Gafisa, Guilherme Benevides. Ele contou que, hoje, a construtora e incorporadora é completamente orientada a dados (data driven), com uso amplo de robôs para extração de dados internos e de dashboards para suprir todas as áreas da companhia. “Também já incorporamos uma série de tecnologias digitais, como tour virtual com gameficação para uma melhor experiência do cliente, e drones com câmeras termodinâmicas para inspeção de fachadas”, afirmou Benevides. “Para se ter uma ideia, antes gastávamos 60 dias para obter um relatório de inspeção e ainda sofríamos com imprecisão, segurança no trabalho e alto custo. Hoje conseguimos um relatório completo de uma fachada em apenas uma semana e a um custo 93% inferior, com mais precisão e menos riscos”, revelou o CEO da Gafisa.

“UBERIZAÇÃO” DA CONSTRUÇÃO

Na MRV, o processo de transformação digital se baseia no fato de que a tecnologia deve sempre estar conectada aos desafios do negócio. O objetivo é colocar a companhia à frente do “movimento de uberização”. Trata-se de uma nova forma de atuar que se apoia nas tecnologias móveis para conectar consumidores e fornecedores da forma mais direta possível, agregando valor ao produto ou serviço final.

Segundo Reinaldo Sima, diretor de tecnologia e transformação digital na MRV, a necessidade de garantir uma experiência do usuário livre de fricções e de gerar valor para os stakeholders é o que motiva os desenvolvimentos tecnológicos na companhia. “Para atender as expectativas de nossos clientes, é fundamental entender os desafios, desenvolver uma escuta permanente, definir as hipóteses e medir rápido. A partir desse ponto, desenvolvemos um MVP (produto mínimo viável) e monitoramos os resultados”, disse Sima.

Ele contou que a abertura para explorar novos modelos de negócios levou a MRV a algumas inovações recentes. A mais notável delas foi a criação da Luggo, plataforma de aluguel residencial  dedicada em transformar a experiência do cliente ao reduzir a burocracia.

INTEGRAÇÃO DA CADEIA

“Apesar de todos esses avanços, ainda há muitos desafios para as empresas da construção civil. O setor, de modo geral, ainda sofre com problemas relacionados à cronograma, geração de resíduos e custos elevados”, citou Bruno Balbinot, CEO da AmbarTech. Ele enfatizou que tais fragilidades são essencialmente decorrentes da pouca industrialização do setor e de ineficiências provocadas pela baixa integração da cadeia.

Segundo Balbinot, uma das rotas para criar um choque de produtividade na construção é transformar elementos da obra em produtos que possam chegar ao canteiro prontos para montagem. Esse é o caso dos módulos pré-fabricados de instalações hidráulicas e elétricas. “Outro caminho para reduzir a complexidade e a ineficiência é investir na digitalização, especialmente em soluções que integrem o ecossistema da construção e favoreçam as interações entre os múltiplos agentes, da etapa de projeto ao pós-obra”, completou o CEO da Ambar.

Promovido pelo CTE enredes, o 16º EDG reuniu a alta direção das empresas da construção civil para debater temas quentes e urgentes para o setor.  Clique aqui e confira outras informações sobre como foi o evento.

ator Redação Enredes

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