A sustentabilidade aplicada aos canteiros de obras

Redação Enredes / 8 de setembro de 2021

As ações visando o reaproveitamento, o reúso e a reciclagem de recursos têm proporcionado ganhos ambientais e financeiros às construtoras. O grau de maturidade das práticas mostra que já há um entendimento de que não poluir e desperdiçar é uma decisão estratégica que contribui para uma gestão mais eficaz do canteiro e diminui o grau de exposição ao risco.

Os canteiros de obras são locais de produção diretamente relacionados a diversos impactos ambientais, como consumo de materiais, geração de resíduos, poeira, erosão, sedimentação e contaminação do solo e da água. “A maioria desses aspectos são regulamentados, mas nem todas as empresas sabem disso. O resultado são ações remediativas, autuações, consumo de recursos não previstos, embargos legais e uma imagem negativa da empresa quanto à responsabilidade ambiental”, explicou Thaís Silvério, coordenadora de obras e sistemas prediais no CTE.

Silvério foi uma das participantes do Workstation da Rede Construção Sustentável (RCS) realizado no dia 24 de agosto com a participação de mais de 60 profissionais das empresas associadas à Rede. Na ocasião, ela abordou uma série de medidas a serem incorporadas à gestão da sustentabilidade nos canteiros, como a proteção adequada de espécies vegetais permanentes, o controle de saída de sedimentos do canteiro, bem como a redução da geração de ruídos e  poeira.

A gestão de resíduos é um ponto especialmente crítico com potencial de ganhos importantes. “Uma gestão com foco em sustentabilidade permite obter índices como 5% de resíduos destinados a aterros e 95% de resíduos reciclados”, comentou Silvério. Ela explicou que isso é factível com ações de baixo investimento, como a criação de área de triagem com bags, aproveitamento de tambores e armazenamento adequado de resíduos perigosos. Outras práticas importantes envolvem o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos na própria obra. 

Segundo Thaís Silvério, ao contrário do que muitos pensam, implantar uma adequada gestão de resíduos pode resultar em redução de custos. “As estratégias minimizam gastos adicionais e inesperados, além de evitar perdas com eventuais paralisações por embargos”, comentou ela.

CANTEIRO INSERIDO NA POLÍTICA ESG

Na sequência, Adriana Nunes Machado, superintendente de desenvolvimento de negócios na HTB, explicou como a empresa trabalha para alinhar suas obras à estratégia ESG (Environmental, Social and Governance) da companhia. 

A HTB realiza múltiplas ações, desde a utilização de tecnologias digitais para reduzir o desperdício de papel, ao desenvolvimento de um módulo pré-fabricado que permite a rápida mobilização do escritório administrativo. “Antes demorávamos de 20 a 30 dias para fazer essa instalação. Agora, em apenas 72 horas conseguimos colocar a equipe administrativa trabalhando em ambientes confortáveis, equipados, com isolamento térmico apropriado para minimizar a dependência de ar condicionado”, contou Machado. Para garantir o bem-estar de seus colaboradores, a HTB também faz a entrega diária de kits com toalhas limpas e realiza eventos de integração nos quais os trabalhadores podem levar a família para conhecer o seu ambiente de trabalho e o que ele está ajudando a construir.

TECNOLOGIA CONSTRUTIVA

Caio Bonatto, chief growth officer na Tecverde, mostrou como a sustentabilidade nos canteiros é favorecida por sistemas construtivos industrializados. “A nossa maneira de levar sustentabilidade para os clientes é através de uma tecnologia focada em produtividade, que imprime mais velocidade às obras, consome menos recursos, oferece condições de trabalho melhores para a mão de obra”, disse ele. 

Bonatto reforçou que a construção industrializada baseada no woodframe  garante, ao consumidor final, eficiência energética duas vezes superior, em comparação à construção com métodos convencionais. Segundo ele, com 85% das atividades transferidas do canteiro para uma fábrica, é possível reduzir o consumo de água na construção em torno de 90%, diminuir a geração de resíduos em 85% e emitir 80% menos gases poluentes.

GESTÃO E CONTROLE

As ações da BN Engenharia para diminuir os impactos ao meio ambiente e à vizinhança também foram detalhadas durante o Workstation da RCS. A construtora utiliza um sistema de gestão, desenvolvido nos mesmos moldes do sistema de segurança no trabalho, com pontuação em caso de não conformidade e cálculo de taxas de risco. “Criamos um meio de controlar todos os requisitos de meio ambiente e pontuamos a taxa de risco em função do valor de uma eventual multa decorrente do não cumprimento das obrigações”, explicou Everaldo Ramalho, diretor de operações na BN Engenharia.

“Além de ferramentas de controle, as construtoras podem se aproveitar de uma série de práticas simples, mas que trazem resultados impactantes para a sustentabilidade”, continuou  Adriano Matos, gerente de Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional na BN. Ele citou, como exemplos, a instalação de redutores de pressão nas torneiras para evitar desperdícios, a utilização de telhas translúcidas nos escritórios dos canteiros, favorecendo o aproveitamento da luz natural, a implantação de um sistema fechado de lava-pincéis para diminuir a geração de efluente perigoso, e a logística reversa de materiais como o aço. 

Encerrando as atividades, Luiza Marques, engenheira ambiental na Racional Engenharia, compartilhou as práticas da construtora para ter canteiros de obras mais sustentáveis e saudáveis. Muitas das ações estão focadas na gestão de resíduos, contemplando desde medidas para a correta segregação dos materiais, ao reaproveitamento e beneficiamento do entulho no próprio canteiro. A Racional também investe em um programa de educação ambiental para reduzir o desperdício de alimentos nos refeitórios e estimular a consciência dos trabalhadores. Segundo Marques, com essas e outras ações combinadas, foi possível desviar mais de 80% dos resíduos que iriam para os aterros para a reciclagem. 

Ela contou que a construtora também adota medidas para controle de particulado em suspensão e mantém estratégias de educação ambiental dos colaboradores. “Para haver melhoria contínua, é importante dar muita publicidade interna às práticas bem-sucedidas e às lições aprendidas, investir na capacitação das pessoas e falar sempre sobre as questões ambientais, trazendo informação em todos os níveis”, recomendou a engenheira da Racional. Fique atento às atualizações do nosso blog e às redes sociais do enredes para ficar por dentro de tudo que acontece na Rede Construção Sustentável (RCS).

ator Redação Enredes

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