Industrialização da construção:

sistemas e soluções aplicadas em empreendimentos

Implantação de novas soluções para racionalização e industrialização da construção foi o principal foco dos debates entre os participantes

No dia 29 de abril, seis palestrantes e 135 profissionais da cadeia produtiva da construção participaram da segunda oficina temática promovida pelo CTE/EnRedes – Industrialização da construção: sistemas e soluções aplicadas em empreendimentos.

Foram apresentados e debatidos os principais desafios para a industrialização da construção e apresentadas novas práticas e novos sistemas construtivos que estão sendo aplicados pelas empresas em diversas tipologias de empreendimentos.

A oficina possibilitou uma participação bastante ativa e interativa entre palestrantes e profissionais de vários segmentos da construção, que refletiram tanto sobre tendências como soluções e sistemas construtivos que promovem a industrialização da construção, racionalização da produção, aumento da produtividade, redução de riscos, custos e prazos e garantia da qualidade dos produtos imobiliários.

Na programação ao lado, você pode acessar as palestras e os cases apresentados. Abaixo, você confere as principais reflexões desta oficina.

 


 

Vencendo os maiores desafios para industrialização da construção

• Elevar a produtividade da construção foi uma condição urgente e necessária apontada em todas as palestras e debates do evento. O mercado atingiu um nível de maturidade e competitividade em que é possível conhecer, desenvolver e adotar soluções mais robustas e eficazes em seus meios de produção. Por isso, é recomendável analisar as vantagens da racionalização e industrialização da construção para o aumento da produtividade, quando se consegue construir em maior quantidade, com melhor qualidade, a um custo menor, em tempo menor, de forma sustentável, facilmente replicável e com menor uso mão de obra.

• Um dos maiores desafios do setor da construção para que caminhe rumo à industrialização, no entanto, tem sido a cultura arraigada da maioria das empresas, que permanece em sua zona de conforto e resistente à inovação, replicando um modelo de gestão da produção originário de uma visão fracionada do negócio e do objeto da construção. Muitos gestores não dominam os processos completos do ciclo do empreendimento e apenas distribuem tarefas a terceiros, sem conhecimento e controle de todas as etapas, o que tem gerado prejuízos em vários níveis, tanto financeiros como operacionais, com atrasos significativos na entrega das obras, estouro de custos, falta de qualidade dos produtos, perda de competitividade e produtividade.

• Por isso, é necessário dar um passo além para a mudança desta cultura e desse comportamento conservador, conquistando uma visão sistêmica de todo o negócio, em que o “artesanato construtivo” dê lugar a processos inovadores e a industrialização surja não como alternativa, mas sim como uma solução efetiva para o setor. Além disso, é importante promover e incorporar novos conceitos e modelos de gestão empresarial e de produção à cultura da empresa, sendo a gestão da inovação totalmente estratégica dentro da organização. Ela deve fazer parte de todas as áreas da empresa, principalmente da Engenharia, que deve assumir uma perspectiva integrada da inovação para a viabilização de negócios e empreendimentos, projetos, planejamento e execução de obras, suprimentos, etc.

 

Analisando a viabilidade e os novos sistemas construtivos 

• Embora o uso de sistemas construtivos inovadores e industrializados venha ganhando força nas empresas líderes, o setor ainda não valoriza nem conhece a fundo as novas tecnologias, ignorando inclusive a possibilidade de se fazer o uso misto de sistemas (inovadores + tradicionais). É necessário o conhecimento mais profundo dos sistemas disponíveis e suas diferentes aplicações, o que implica em estudos técnicos, econômicos, operacionais, de desempenho para garantir tanto sua viabilidade como a criação de um repertório de sistemas que poderá ser adotado em diferentes empreendimentos e obras.

• Há muitas soluções e tecnologias disponíveis no mercado (muitas delas desenvolvidas e testadas há mais de 50 anos) que trazem benefícios, mas é preciso entender quais são as mais adequadas para cada caso, cada tipologia e escala de obra, de modo que estejam totalmente atreladas à viabilidade do negócio. Os sistemas devem, portanto, ser analisados segundo suas vantagens e desvantagens quanto à economia, redução de impactos e desperdícios, utilização em conjunto com sistemas tradicionais, viabilidade técnica e riscos de implantação e manutenção, processos de produção e execução, a fim de que se estabeleça o maior número de indicadores para a medição de resultados e eficácia da produção.

• Reduzir prazos e custos é importante para ser competitivo hoje no mercado e os sistemas industrializados proporcionam essa redução, também possibilitando ganhos de velocidade e economia no tempo de execução, diminuição da mão de obra, redução do desperdício de material, além de mais precisão na execução das obras e aumento na qualidade do produto final. Mas para otimizar os sistemas e alcançar esses resultados (inclusive reavaliar o custo dos novos sistemas industrializados, que pode assustar e parecer mais elevado do que o dos convencionais), é necessário desenvolver projetos totalmente vinculados e integrados, desde a concepção até a pré-construção e execução, com a participação de todos os parceiros.

• Com sistemas industrializados, não há espaço para improvisar, é preciso ter organização, controle, disciplina e força de vontade para que se otimizem os resultados e aumente a produtividade. Por isso, é fundamental estruturar o pré-planejamento rigoroso das etapas da obra e detalhado da produção, levando em consideração desde a movimentação dos materiais no canteiro, até a utilização da mão de obra nas frentes de trabalho, uso de equipamentos, etc. Ou seja, deve-se fazer uma “pré-temporada” antes de começar a obra, tendo todos os recursos e projetos bem definidos e planejados.

 

Implantando novas práticas e soluções

• Para aumentar a produtividade, é possível começar com pequenos projetos que visem à racionalização da produção. Investir em logística de transporte, estoque e abastecimento, na redução de desperdício de materiais e mão de obra, no controle do fluxo de caixa, são algumas das boas práticas que organizam a produção.

• É importante compreender e adotar sistemas integrados e novas tecnologias (inclusive o BIM) para planejar e gerenciar a obra, tomando-os também como ferramenta de monitoramento do processo construtivo e da produtividade.

• A Norma de Desempenho deve ser utilizada para avaliar um produto ou sistema construtivo inovador. Sob a perspectiva da Engenharia, deve ser verificado o atendimento a todos os itens e requisitos da Norma, inclusive para correta pós-ocupação e manutenção da edificação que utiliza sistemas construtivos não convencionais.

• Todas as soluções inovadoras precisam ser bem gerenciadas na obra, com previsibilidade de riscos técnicos, conhecimento profundo de práticas e técnicas de execução e capacitação da mão de obra para as novas atividades.

• Um estreito relacionamento com fornecedores de materiais e sistemas é fundamental para que se explorem as possibilidades das novas soluções construtivas e se alinhe a viabilidade de sua implantação. É importante manter uma parceria transparente entre construtores e fornecedores, principalmente para que entendam e decidam em conjunto sobre as variantes da produção, os processos de execução, custos, estratégias relacionadas a questões financeiras, de abastecimento, logística, produtividade, etc.

 

Na rede e em rede

No final do evento, Roberto de Souza, Diretor Presidente do CTE, consultou os presentes sobre a oportunidade de criação de uma rede, com participantes do evento e profissionais dos vários segmentos da cadeia da construção, para avançar na reflexão sobre o tema ‘industrialização da construção’, prosseguir na troca de experiências e no compartilhamento de soluções e estudos. Os participantes da oficina aprovaram essa ideia, e o CTE irá realizar uma pesquisa sobre interesses e necessidades atuais e estudar a viabilidade desta rede temática.

PROGRAMAÇÃO 29/04

Clique nos nomes dos palestrantes para acessar os currículos

8h00 Credenciamento | Good Morning Coffee

8h45 Abertura | Roberto de Souza (Presidente do CTE)

Roberto de Souza (Presidente do CTE)

 

Painel I

9h00 Cultura empresarial e perspectivas para a industrialização do setor da construção

Ary Fonseca Jr. (Diretor da Signo Engenharia)

9h25 Estruturas pré-fabricadas e banheiro pronto para empreendimentos comerciais

Ricardo Francisco Coelho (Gerente de Construção da Odebrecht Realizações Imobiliárias)

9h50 Case: a industrialização em empreendimentos corporativos

Leandro Faro (Diretor da Método Engenharia)

10h15 Debates

10h45 Coffee Break

 

Painel II

11h05 Sistemas construtivos em pré-fabricados e paredes de concreto para habitação

David Nonno (Diretor de Engenharia da Cury RJ)

11h30 Sistema Steel Frame: aplicações para habitação econômica e outras edificações

Paulo Rico Perez (Diretor de Projetos – Marketing Habitat do Grupo Saint-Gobain)

11h55 Tendências internacionais de industrialização da construção

Francisco Pedro Oggi (Diretor da Empório do Pré-Moldado)

12h20 Debates

13h00 Business Lunch

DESTAQUES DO ENCONTRO
A emissão de gases de efeito estufa (GEE) deste evento foi calculada pelo CTE e foram plantadas pela empresa Curupira 25 árvores para neutralizar os efeitos das emissões de CO2.
Total de emissões do evento (kgCO2e) = 4.335
Capacidade média de retenção de CO2 por árvore durante 20 anos = 175
Número de árvores plantadas para neutralização de GEE deste evento = 25

Próximos eventos:
seg ter qua qui sex sab dom
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31          
APOIO