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Tecnologia 26 de Dezembro de 2019

Tecnologia na construção e o déficit habitacional

Como as novas tecnologias podem ajudar a sanar este problema que ainda é uma realidade pelo mundo.

O déficit habitacional ainda é um dos grandes gargalos que o Brasil enfrenta. Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que o déficit de moradias cresceu 7% em apenas dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades habitacionais em 2017. Segundo o relatório, a maior parte do déficit é formada por famílias que ganham até três salários mínimos por mês.

O levantamento também aponta que, para atender à demanda por moradia no país nos próximos dez anos, seria necessário construir 1,2 milhão de imóveis por ano. No mundo, de acordo com o último estudo do World Resources Institute, 330 milhões de famílias em cidades ao redor do planeta, o equivalente a 1,2 bilhão de pessoas, não têm acesso a moradias acessíveis e seguras. O relatório também aponta que, sem uma ação imediata, o problema se tornará ainda mais crítico, pois esse déficit habitacional deverá crescer 30%, ou seja, 1,6 bilhão de pessoas até 2025.

E como as novas tecnologias e soluções construtivas de baixo custo que podem ajudar a sanar este problema? Durante o Construdigital Conference Michael Marks, fundador da Katerra, mostrou o que sua companhia tem feito no Estados Unidos, Arábia Saudita e Índia com suas fábricas de construção pré-moldadas que podem contribuir com a realidade brasileira. A companhia conta com instalações onde desenvolve peças modulares e, com as peças pré-montadas, consegue construir estruturas que, depois de prontas, serão levadas até o local em que devem ser levantadas e uma equipe faz a montagem.

Além disso, Marks mostrou que a construtech é capaz de construir casas inteiras em apenas 48 horas, com o uso de inteligência artificial, big data, science e robótica. "Nosso propósito é construir habitações mais acessíveis e rápidas. Entregamos kits modulares que constroem ambientes com paredes, janelas, portas, encanamento e instalação elétrica, como banheiro e cozinha, em até 02 horas. Para uma empresa de tecnologia essa é uma grande oportunidade de negócio", contou o CEO. 

INDUSTRIALIZAÇÃO É UM CAMINHO

Assim como o modelo da Katerra, o setor da construção civil brasileiro pode se beneficiar da industrialização. Entre as suas principais vantagens, estão a possibilidade de ganhar qualidade nos canteiros de obra e otimizar o tempo para entregar as obras em prazos cada vez mais curtos. Segundo a pesquisa Industrialized Construction in Academia, a indústria da construção pode colher ainda benefícios como custos reduzidos de mão de obra, segurança aprimorada, diminuição de atrasos, qualidade do produto e produtividade aprimorada.

Hoje, é fundamental que o setor inove para deter o domínio de produção, empregando os princípios do processo de industrialização de forma estruturada. Vale ressaltar também que a construção industrializada é um processo evolutivo, com incorporação de inovação tecnológica e de gestão, com as ações organizacionais que buscam o aumento de produção e o aprimoramento do desempenho da atividade construtiva.

OUTROS FATORES

Outros fatores além das novas tecnologias devem ser levados em consideração quando falamos sobre a questão habitacional. Durante o 15º Encontro de Diretores e Gestores da Construção, realizado no início deste mês, Rodrigo Luna, CEO da Plano&Plano, destacou que para se resolver o problema de habitação da população de baixa renda, é necessária uma política de Estado focada e bem regulamentada. “O grande desafio da habitação no mundo é a baixa renda. Ou o Estado está empenhado nisso, ou as consequências que isso produzirá para a sociedade serão gigantescas. Não se fala de saúde e de educação sem habitação. Ela deve ter a mesma preocupação por parte dos governos e entidades públicas”.