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Materiais 20 de Novembro de 2020

Patologias em instalações hidráulicas prediais

Pedro Costa

Resumo do texto:

  • Sistemas prediais são responsáveis por trazer vida ao empreendimento em forma de água, energia, conforto e segurança aos usuários;
  • Dentro dos processos de construção, é imprescindível a capacitação dos instaladores;
  • Muitas vezes os chamados de pós-obra estão relacionados a falta de instrução ao usuário final, mas também de problemas que ocorreram durante a construção;
  • Buscar alternativas com a certificação dos instaladores e melhor identificação dos problemas, auxilia na diminuição das patologias

O campo da engenharia de edificações que estuda patologias em aplicações hidráulicas, aborda o começo das lesões, causas, manifestações e consequências à construção. Dentre as ocorrências mais frequentes, estão as deficiências em níveis de pressão, roturas em tubagens, mau cheiro, problemas no fornecimento de água quente, ruídos indesejáveis e volta do esgoto. 

Para discutir sobre o tema com soluções aplicáveis, o enredes apresentou um webinar sobre boas práticas para evitar patologias nas instalações hidráulicas prediais. No comando de Roberto de Souza, CEO do CTE, os convidados deram uma verdadeira aula sobre o assunto. Foram eles: Cynthia de Santana Santos - Engenheira de Serviços Técnicos da Amanco Wavin, Raphael Maran - Gerente de Instalações Prediais da Cyrela, Jorge Chaguri Jr - Diretor da Chaguri Engenharia de Projetos e Marcelo Matsusato - Sócio Diretor da Makinsthal e Ecofi. 

Olhando um edifício e comparando a um ser humano, os sistemas são os órgãos que assim como no corpo, são responsáveis por trazer vida ao empreendimento em forma de água, energia, conforto e segurança aos usuários. De acordo com Jorge Chaguri, a busca por projetos de qualidade, bons produtos e mão de obra capacitada para instalações é imprescindível. “Temos que ajudar toda a cadeia a gerir as informações pois os sistemas são complexos. O pós-obra precisa ser maduro e bem orientado”, informou.

Os fabricantes trabalham em um processo de melhoria contínua dos produtos. Segundo apresentou Cynthia de Santana, a Amanco é líder global no segmento de tubos e conexões. “Temos um departamento que está diretamente ligado aos usuários com a função de capacitar pessoas envolvidas no processo de instalação. Dessa forma evitamos patologias em instalações hidráulicas”, falou. 

Dentro dos processos de construção, a importância da capacitação do instalador também foi lembrada por Marcelo Matsusato, da Markinsthal e Ecofi. “Manutenções prediais geram muito conhecimento e alimentam toda a cadeia construtiva. A mão de obra das pessoas envolvidas precisa ser valorizada, pois isso facilita na identificação de patologias”, apontou. 

A origem dos problemas

Podemos identificar o começo de patologias em instalações hidráulicas já na fase de projeto. De acordo com Raphael Maran, a atual industrialização da construção e a inteligência executiva na mão de um projetista com pouco detalhamento, pode gerar dores de cabeça. Para o convidado, a falta de mão de obra capacitada é outro ponto determinante pois “são somas de fatores que podem prejudicar”, especificou. 

Atualmente temos desafios complexos em conjuntos prediais. Para Jorge Chaguri, o desenvolvimento tecnológico e novos sistemas demandam capacitações dinâmicas. “Antes um soldador de cobre e um de aço resolveriam as instalações. Hoje o profissional precisa entender a dinâmica dos materiais. A instalação é o ponto principal do projeto”, atentou. Segundo o profissional, quando se olha às patologias, se analisam diversos elementos que precisam ser pontuados na construção. 

Muitas vezes os chamados no pós-obra estão relacionados a falta de instrução ao usuário final, mas também de problemas que ocorreram durante a construção. “É importante na concepção do prédio que se tenha uma visão sistêmica e que os projetistas possam atender às legislações. O instalador, na outra ponta, acaba absorvendo a necessidade de compatibilizar o projeto (visando velocidade de entrega das obras) e isso pode causar problemas futuros”, alertou Marcelo Matsusato. 

Seguir as orientações do fabricante para a instalação com atenção ao projeto, são pontos cruciais que podem evitar patologias. “Temos que analisar como foi realizado o transporte, o armazenamento e aplicação das instalações hidráulicas”, disse Cynthia de Santana, da Amanco. São situações pontuais ou somas de fatores que um setor de qualidade auxilia a identificar. 

Inovação e normatização juntas para minimizar problemas

Buscar alternativas com a certificação dos instaladores e melhor identificação dos problemas, auxilia na diminuição das patologias nos sistemas prediais. A partir do momento que se cria um mecanismo de controle da instaladora, por exemplo, há melhor domínio da construção, como defendeu Jorge Chaguri. “A ideia é que depois de todo um trabalho, façamos uma retroalimentação para tratar com prioridades o que falta ser feito na obra. Juntos é que fazemos a transformação”, destacou.

Do lado das fabricantes, Cynthia de Santana apontou a capacitação dos profissionais como fator crucial na minimização de problemas nos sistemas. “Tudo o que fazemos é para que as boas tecnologias sejam disseminadas com suporte dos fabricantes atendendo às necessidades da obra e usuários”, contou. Outro ponto importante destacado pela convidada está em entender as reais necessidades do público final visando inovação e melhoria dos materiais. 

Uma vez que se identifica todos os problemas em uma edificação, busca-se através de inovações sanar dificuldades. “Ser fiel aos bons processos construtivos é um ponto interessante para evitar a perda do controle técnico”, defendeu Raphael Maran. O uso de normas também foi escudado pelo convidado. “Se tivéssemos um programa para capacitar e minimizar problemas, seria fundamental, mas às vezes já usamos a obra como laboratório. Por isso é preciso tomar cuidado para não perdermos a capacidade analítica. Normas ajudam a mitigar patologias pois se aproxima verdadeiramente dos reais problemas”, manifestou. 

A norma, além de servir como padronização, garante requisitos mínimos para os materiais na obra e a vida útil dos mesmos. “Certificações dão garantias e colaboram para a sustentabilidade na construção, diminuindo patologias”, lembrou Cynthia de Santana. As normatizações validam a qualidade da instalação. “São garantias para que o usuário fique tranquilo quanto ao desempenho da água quente, por exemplo”, mostrou Marcelo Matsusato. Normas de execução lembram ao projetista e instalador a importância em estar atento aos testes na obra.

Trabalhar com norma é um movimento significativo que precisa ser considerado como mínimo dentro da cadeia construtiva. “A certificação permite que a gente veja o edifício como o usuário vê e isso tem trazido retroalimentação positiva sobre o desempenho nas obras”, mostrou Jorge Chaguri. O convidado ainda disse que a norma é um diferencial valorizado no produto. 

Recomendações para evitar patologias hidráulicas prediais

Os convidados apontaram algumas recomendações para evitar problemas em instalações hidráulicas nas edificações.

  • Entender o projeto e as diretrizes;
  • Respeito às legislações; 
  • Visitas especializadas ao canteiro de obras para auxiliar engenheiros e instaladores;
  • Varredura no processo de gestão envolvendo a cadeia produtiva;
  • Conhecimento pleno das normas de maneira coletiva;
  • Entender às instaladoras para enriquecer a construção do projeto;
  • Olhar as dificuldades na obra;
  • Acompanhar todos os possíveis pós-obras;
  • Capacitação da mão de obra;
  • Valorização do pessoal envolvido na construção;
  • Uso de metodologias ágeis;
  • Buscar certificações específicas;
  • Ter um grupo específico de “mastermind” - para solucionar problemas;
  • Escolher soluções adequadas ao projeto;
  • Buscar informações técnicas com os fabricantes;
  • Utilização do BIM para compatibilizar projetos. 

No webinar ficou evidente a necessidade da cadeia construtiva estabelecer maneiras didáticas, práticas e efetivas contra as patologias hidráulicas, com melhor compreensão do projeto e qualificação na mão de obra do pessoal em campo. 

Acompanhe o webinar na íntegra: