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Atualidade 14 de Abril de 2020

Os Impactos do Coronavírus no Mercado Imobiliário e no Setor da Construção Civil

Na última quinta-feira, dia 9, Roberto de Souza, fundador e CEO do CTE – Centro de Tecnologia e Edificações e idealizador do enredes e RCD – Rede Construção Digital, moderou um Webinar sobre “os Impactos do Coronavírus no Mercado Imobiliário e no Setor da Construção Civil”, que contou com a participação de grandes nomes da cadeia construtiva: Emilio Fugazza, CEO da Eztec, Mario Rocha, Sócio da Rocontec, Daniel Toledo, CEO da Königsberger Vannucchi Arquitetura e Paulo Estefan e Eduardo Caram, VP de Operações e Head de Obras Novas e Operações da Thyssenkrupp Elevadores.

O Webinar foi acompanhado por uma média de 600 espectadores simultâneos que puderam interagir com as opiniões dos convidados sobre o momento de pandemia que impactou o setor, atingindo mais de 1250 visualizações ao final do programa.

Buscando uma visão completa sobre o assunto, Roberto de Souza dividiu a conversa em quatro blocos: Impacto operacional, impacto nos negócios, a retomada pós-covid-19 e oportunidades de integrar o setor.

O objetivo era que cada convidado contribuísse com suas perspectivas e experiências na gestão da crise do Covid-19 em suas empresas.

O IMPACTO OPERACIONAL

Emilio Fugazza (Eztec) iniciou o bloco contextualizando sobre o setor da construção civil antes da chegada do Covid-19. Relembrou a retomada, tão esperada, do mercado imobiliário, apontando o resultado de vendas recorde na história da Eztec.

Constatou que o cenário de expansão do setor da construção desacelerou drasticamente após a chegada do Covid-19. Esse fato transformou um cenário aquecido e otimista em um cenário de grandes incertezas.

Para as construtoras, com obras já em andamento, o impacto imediato foi menor, pois a maioria dos estados brasileiros não paralisou as operações dos canteiros. Mario Rocha (Rocontec) elogia a decisão de prefeitos e governadores e reforça que os trabalhadores dependem dessa renda para sobreviver.

A perspectiva de Daniel Toledo (KV Arquitetura) é especialmente interessante. Relata que, devido ao uso do BIM, conseguiu manter a continuidade de 100% das atividades operacionais colaborativas em condição de home office.

Para a Thyssenkrupp, o primeiro passo foi garantir a saúde mental de seus trabalhadores, tanto quanto a saúde física. Na visão de Paulo Estefan e Eduardo Caram é importante que os dirigentes se aproximem de seus trabalhadores e os preparem para a continuidade da operação, apesar de atualmente sua fábrica operar com 75% da capacidade produtiva.

O IMPACTO NOS NEGÓCIOS

Para uma incorporadora como a Eztec, o impacto é imediato. Especialmente frente a um cenário de impossibilidade de novos lançamentos, pois não existe, sequer, emissão de alvará de aprovação pela prefeitura.

Uma unanimidade discutida entre os convidados aborda a desaceleração dos negócios por consequência das incertezas em relação ao impacto econômico no bolso do consumidor final, bem como às novas demandas que ele exigirá. Quais serão as novas necessidades de um indivíduo e de uma família após o Covid-19?  

Mario Rocha, por exemplo, questiona a função do office dentro do apartamento, haja vista a experiência de home office percebida durante a pandemia; Daniel Toledo acredita na ressignificação de espaços como estratégia de reinvenção do modelo de negócios. Para ambos, a única maneira de as empresas do ramo prosperarem, apesar da pandemia Covid-19 será por intermédio da inovação e reinvenção. Ficar passivo aos impactos da pandemia não pode ser uma opção para nenhuma empresa e caberá aos líderes desenhar novas oportunidades de se projetar o futuro.

A Thyssenkrupp pontua, também, que a forma de viver em sociedade, como um todo, será diferente e que caberá às empresas prever a nova realidade do consumidor e adequar os produtos e tecnologias de acordo com as novas demandas.

A RETOMADA PÓS COVID-19

É consenso, entre todos os convidados, que não haverá o dia que a OMS – Organização Mundial de Saúde, irá declarar o fim do Covid-19. A transição para o pós-Coronavírus será gradativa e de caráter humano e reconstrutivo.

Para Emilio Fugazza, o distanciamento fortalecerá a consciência colaborativa nas pessoas. Mario Rocha acredita que as empresas vencedoras serão aquelas que conseguirão transmitir o senso de propósito coletivo e que valorizem o capital humano.

Daniel Toledo traz uma visão crítica muito importante ao evidenciar que muitas pessoas, por passarem muito tempo em isolamento social em suas residências, passarão a dar mais importância para as questões de conforto e bem-estar de suas moradias. Isso fará com que os projetistas tenham que olhar com mais cautela para as considerações bioclimáticas dos apartamentos.

A Thyssekrupp, como fornecedora, acredita que a entrega de produtos pós-Covid-19 será muito mais tecnológica e digital, pois o estado de urgência em manter produtividade à distância, agiliza a otimização de recursos tecnológicos dentro de processos empresariais.

OPORTUNIDADES DE INTEGRAR O SETOR

Em busca de uma melhoria na cadeia da construção, Roberto de Souza questionou a todos sobre os aprendizados e oportunidades para integrar melhor os setores da cadeia.

Puxando o debate, Emilio Fugazza fez suas colocações, considerando de suma importância a inclusão dos agentes financeiros nas conversas, para uma melhor tomada de decisão e mudança de mentalidade do setor. Segundo ele, o uso da tecnologia, da digitalização e industrialização só será possível de forma generalizada se a forma de financiamento imobiliário se atualizar.

Mario Rocha complementa a fala do colega, dizendo que o setor já iniciou essa transição a partir do movimento de vendas de imóveis para locação. Ele acredita que isso exigiu maior integração entre setores multidisciplinares e incentivou a entrega das construções em prazo menor, sendo essa uma motivação crucial para a adoção de novas tecnologias construtivas industrializadas, por exemplo.

Para a KV e Thyssenkrupp, as barreiras entre empresas precisam cair e a integração precisa acontecer para que as partes do ecossistema da construção entendam as dores e demandas umas das outras. Dessa forma, projetos, processos e produtos poderão ser adequados para a nova realidade, pós-Covid-19, que o mundo da construção viverá.

CONCLUSÃO

A mensagem captada com esse conteúdo extremamente rico é a de que, apesar das incertezas em relação aos impactos futuros do Covid-19 na construção, a realidade das empresas do setor já está mudando.

Em muitos casos, vemos um cenário desanimador e de retração de produção, mas vemos, também, o despertar no setor, novas formas de trabalhar, melhoria de processos, preocupação com a saúde mental dos colaboradores, a transição para operações digitalizadas e as construções industrializadas se fortalecendo.

É importante lembrar que essas melhorias irão transcender a crise e serão incorporadas no setor, garantindo os avanços permanentes. A realidade pode ser dura agora, mas é imprescindível a reinvenção do setor, para que possamos prosperar além da crise.

Para ver o conteúdo na íntegra siga o canal do enredes no Youtube e acesse o vídeo:

 

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