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Tecnologia 2 de Outubro de 2018

Drones e tecnologias agregadas

A importância da análise dos dados coletados na construção

 

O uso de drones na construção brasileira tem evoluído conforme as construtoras, incorporadoras, seguradoras e prestadoras de serviço percebem os benefícios dos dados coletados para o seu negócio. A cultura e os procedimentos internos desses tomadores de serviços têm tido grande influência no aproveitamento das informações. Apesar de já existirem soluções sofisticadas relacionadas aos drones, ainda há dificuldade de serem assimiladas pelo setor, na avaliação do sócio fundador da EmDrone, Eduardo Machado.

Segundo ele, os drones são ferramentas e, atualmente, diversas tecnologias podem ser agregadas a elas, como câmeras com sensores RGB e infravermelho, multispectral, laser e sonares. “Hoje é possível voar um drone para fazer fotos ou vídeos simples, mapear terrenos e acompanhar a construção de estruturas, ou fazer imagens térmicas de torres de transmissão. A AT&T já voou drones em estádios, com sensores específicos, para estudar ‘buracos’ na transmissão de wi-fi nas arquibancadas”, explica.

Na EmDrone, por exemplo, os dados coletados por drones e câmeras terrestres formam um conjunto de informações que se complementam. “Com a câmera terrestre, registramos as áreas internas das estruturas, as lajes já sobrepostas e seus acabamentos e pontos de passagens. Com a câmera aérea (drone), registramos as áreas externas, lajes em construção, telhados e fachadas. São registros complementares e que são escolhidos de acordo com a necessidade e possibilidade de manejo de dados de cada cliente”, conta.

Mas a questão que gira em torno deste serviço é: o que fazer e como se beneficiar dos dados coletados. Na opinião de Machado, o melhor aproveitamento das informações está vinculado à adoção do BIM (Building Information Modeling), ou Modelagem da Informação da Construção, por parte do tomador de serviço. “As empresas que estão em um nível avançado do BIM irão aproveitar muito mais as informações quando comparadas às empresas que ainda projetam em 3D”, alega.

 

“É quase imensurável o universo de possibilidades de economias que o setor da construção pode obter ao usar drones e captura de realidade. Mas temos que ter em vista que cada empresa e segmento terão suas particularidades e níveis de aproveitamento das informações.”

Eduardo Machado, Sócio fundador da EmDrone   
 

O processamento de dados pode ser feito em nuvem ou em computador próprio. O que vai determinar como se dará o processo é o tamanho do projeto e as especificações do workflow. “Hoje a entrega é o grande gargalo entre a coleta de dados e a economia nos projetos”, afirma.

Isso porque o acompanhamento sistemático e periódico com drones gera informações que precisam ser interpretadas pelos engenheiros e projetistas o mais rápido possível. “Seja em ambiente online ou em arquivos para Revit, AutoCAD e Sketchup – que são algumas das possibilidades de formatos de entrega – é necessária a participação no processo de um BIM Manager ou profissional que acumule a função”, defende. Deve ser alguém que conheça ou tenha participado do desenvolvimento do projeto, pois a integração das informações é o grande segredo para o melhor aproveitamento dos dados coletados.

Atualmente, a construção civil já pode se beneficiar com o uso de drones em todos os estágios, desde a avaliação de um terreno antes da compra, ou antes de iniciar o projeto, passando pelo mapeamento de movimentação de terra ou de construção de lajes e registro de as built, até a promoção de vendas. Os dados ficam disponíveis para a manutenção das estruturas. “É quase imensurável o universo de possibilidades de economias que o setor pode obter ao usar drones e captura de realidade. Mas temos que ter em vista que cada empresa e segmento terá suas particularidades e níveis de aproveitamento das informações”, considera.

Na opinião dele, o futuro dos drones dentro da engenharia civil brasileira está relacionado à análise de informações obtidas e à massificação desta linguagem digital, desde o começo de cada projeto de construção. “Sem tecnologia BIM e projetos em Revit, por exemplo, usar drones em uma obra é como comprar uma Ferrari e deixá-la ligada na garagem apenas para ouvir o ronco do motor”, explica. Além disso, a inteligência artificial poderá trazer respostas e análises ainda mais rápidas e precisas, mas ainda é uma realidade distante.

Case Alphaville Urbanismo x Maply

A partir de 2018, a Alphaville Urbanismo intensificou a utilização de drones ao contratar a Maply, startup que oferece uma plataforma completa para captação e análise de imagens, gerando mapas de alta precisão para o acompanhamento físico de obras. “Iniciamos o piloto em uma obra e, desde então, temos tido ótimos resultados, com perspectiva de escalar a solução para outras obras”, considera o superintendente de obras da Alphaville Urbanismo, Gualter Afonso Jr.

A empresa atua em todo o território brasileiro e o acompanhamento por parte dos gestores exige grandes deslocamentos, investimentos com viagens e um grande intervalo entre uma visita e outra. “A tecnologia aproximou as obras do escritório, fazendo com que o acompanhamento das obras seja feito em tempo real”, alega.

 

“A tecnologia aproximou as obras do escritório, fazendo com que o acompanhamento das obras seja feito em tempo real. A perspectiva agora é escalar a solução tecnológica para todas as obras.”

Gualter Afonso Jr., Superintendente de obras da Alphaville Urbanismo
 

Atualmente, o serviço tem possibilitado o acompanhamento semanal das obras por meio das imagens, com a possibilidade de aferir os levantamentos das medições, acompanhar a programação de serviços, dar apoio à rastreabilidade de controle tecnológico, uso de imagens para as built e compatibilização de projetos, e, em período de teste, para acompanhamento de programas ambientais.

“Ainda não há impacto direto no cliente final, porém vemos muitos benefícios a serem implantados que ajudarão na experiência do cliente, desde a venda até o acompanhamento em tempo real da obra, com fotos de melhor qualidade, e, em maior periodicidade, modelos em 3D para navegação na obra, entre outras soluções, que ainda podem ser desenvolvidas na etapa de operação do empreendimento”, afirma Gualter.

Solução

Segundo o CEO e Founder da Maply, Alexandre Artiaga Affonso de Miranda, a empresa oferece uma solução de mapeamento de drones de alta precisão, de forma simplificada. Ela é baseada em uma plataforma online/em nuvem, onde os usuários conseguem gerar mapas de alta resolução recorrentes das obras e gerenciar as atividades de campo de forma visual e quantitativa, e ainda colaborar eficientemente com a equipe através da plataforma.

Por meio de aplicativo mobile, os clientes conseguem marcar em um mapa de satélite a área desejada, ir até o local, colocar o drone no solo e iniciar um voo de mapeamento totalmente automatizado. Com isso, eles carregam essas imagens na plataforma online e automaticamente o software as transformam em mapas georrefenciados de alta precisão.

 

“A partir de plataforma online e em nuvem, os usuários conseguem gerar mapas de alta resolução, gerenciar as atividades de campo de forma visual e quantitativa, e ainda colaborar eficientemente com a equipe.”

Alexandre Artiaga Affonso de Miranda, CEO e Founder da Maply
 

 “No caso da Alphaville, as obras já possuíam drones compatíveis com a plataforma Maply no local. O que fizemos foi treinar a equipe de obra para operar o drone com a plataforma Maply e realizar os mapeamentos semanais de acompanhamento”, explica.

Entre as vantagens da solução estão: o monitoramento das atividades de obra de forma mais eficiente; a otimização do tempo dos técnicos em campo para coleta de dados; reuniões mais eficientes com informações para a tomada de decisão; monitoramento da evolução das atividades de forma remota pelo escritório; além da elaboração de as built x as design.

“É possível realizar a sobreposição dos projetos nas imagens geradas pela plataforma e verificar com precisão se o realizado foi de acordo com o projetado. Além disso, elaborar com maior confiabilidade e, em uma fração de tempo menor, do que os métodos tradicionais (topografia convencional)”, diz.

Entre outras vantagens estão: acompanhamento de volume de movimento de terra, documentação histórica e sistêmica das condições de obra, aumento do nível de segurança na obra pela coleta de dados não invasiva, etc.

 

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