veja nosso
último artigo

Inovação 30 de Agosto de 2019

Desafios do BIM na construção: RCD estimula implantação do processo na cadeia produtiva

No último artigo da série, integrantes da rede apresentam cases focados em projeto, em obra e na indústria

Uma das atividades da Rede Construção Digital propostas para este ano é intensificar o debate sobre BIM e estimular a implantação deste processo na cadeia produtiva da construção. Para ilustrar esse percurso, a RCD realizou em junho uma estação de trabalho na qual empresas que integram a rede apresentaram cases focados em projeto, em obra e na indústria. 

O CEO da Kröner & Zanutto Arquitetos, Alexandre Kröner, falou sobre a transformação radical realizada no escritório, nos últimos três anos, para a implantação do BIM. “A gente não ganha mais dinheiro com isso. Temos um ganho em produtividade, e em qualidade do que entregamos”, informa.

Segundo ele, uma das dificuldades que se nota no setor, é a tentativa de fazer o processo BIM de acordo com o processo anterior, o CAD. “Isso não funciona, não dá certo. Cada um requer um fluxo de processo diferente. Hoje, esses fluxos do BIM são montados dentro do nosso escritório para que todos saibam onde precisam agir, de que forma e em que sequência. Trata-se de um trabalho colaborativo.”

Na opinião dele, também tem acontecido outras ações inusitadas no mercado. Umas delas é o projetista querer cobrar o dobro do preço para fazer o projeto em BIM. “Não conseguimos entender porque isso acontece, se há um aumento de 30% em produtividade”, diz. Além disso, como relata Kröner, há profissionais que fazem todo o processo em CAD e depois mandam modelar em BIM. “Queremos que o BIM seja utilizado desde o estudo preliminar e, a partir daí, exista uma evolução do projeto”, defende.

Com foco na obra, o diretor de engenharia da Sinco Engenharia, Paulo Sanchez, contou como acontece o processo BIM dentro da empresa. “A maioria dos projetos que recebemos chega em 2D. A partir daí, fazemos uma modelagem interna”, conta. Para Sanchez, é importante modelar como se constrói. “É o que chamamos de BIM Mandate [Documento que detalha como a modelagem será realizada]. Você precisa saber o que necessita da ferramenta BIM, para depois, lá na frente, estar tudo de acordo”, conta.

Depois da modelagem na Sinco, é feita a compatibilização, o planejamento, e, em seguida, se inicia a execução da obra. Na visão Sanchez, as vantagens de usar o BIM no planejamento é saber, antes de a obra começar, quais serão os problemas, os gargalos, quando será preciso aumentar a equipe, entre outras ações. “Não existe improvisação”, reforça.

Para abordar o BIM na indústria, o especialista em inovação na Kingspan Isoeste, Thomas Faria, disse que o interesse em adotar o processo BIM nasceu do seu desconforto com os ‘nós’ que identificava dentro da engenharia da indústria. Segundo ele, entre os pilares para fomentar essa ideia destacam-se a agilidade e a assertividade. “Hoje não temos mais projetistas, temos construtores virtuais. Eles tomam o sentimento ‘de dono’ e se conectam ao projeto do cliente”, diz. 

A Kingspan Isoeste construiu a sua biblioteca BIM de produtos que tem ajudado os clientes a entender com a sua solução funciona, além de ajudar a vender mais. “Nos últimos dois anos, não houve crise para a empresa, que cresceu entre 15% e 20%, alinhada a essa inovação”, complementa a gerente de projetos, Rafaela Hiemer.

Já a CEO do Autodoc, Ana Cecília Sestak, apresentou algumas dúvidas relacionadas ao BIM que tem encontrado nas empresas, como, por exemplo, a extensão do modelo, e as dificuldades para exportá-lo para o IFC. “Se queremos entrar em uma tecnologia diferente, temos que despender tempo para nos capacitarmos. Algumas pessoas banalizam os conceitos que desconhecem”, comenta. Para ela, essa atitude pode afetar seriedade na perda de dados vitais para os projetos.

Confira os demais artigos da série:
França e Associados
Exército Brasileiro
Grupo Dimas