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Inovação 12 de Agosto de 2019

Desafios do BIM na Construção: Grupo Dimas

Conheça a trajetória da empresa em busca da adoção do processo

Há 40 anos atuando em dois mercados, automotivo e de construção, o Grupo Dimas sentiu a necessidade de se reinventar e criar um movimento em busca da cultura da inovação. A partir daí, a solução foi desenvolver vários projetos com esse propósito tendo o BIM como projeto maior – um novo desafio cuja implementação tem sido gradual.

A gerente de arquitetura da Dimas Construções, Beatriz Zeglin, conta que a empresa notou em 2017 que poderia melhorar a eficiência, a automação e a produtividade dos seus processos. Neste sentido, a primeira ação foi eliminar as atividades-meio e extrair dados de todas as ações. “A empresa decidiu se reinventar por meio de cinco pontos: desapego, propósito, cliente, tecnologia e inovação. Além disso, se posicionou no mercado como uma empresa de tecnologia que constrói”, diz.

Com isso, nasceram internamente projetos com foco na digitalização, na experiência com o cliente e na inovação do canteiro de obras e da própria construtora, tendo o BIM como um projeto de alto impacto dentro dessa estratégia. “Tivemos um grande desafio porque o BIM era um projeto com um alto custo, no primeiro momento, apesar do retorno no longo prazo. Além disso, ele mudou todo o mindset do processo, que engloba, por exemplo, a reformulação do modelo de contratação dos projetistas e a centralização e integração das informações construtivas.” 

Como metodologia de implementação do BIM, o Grupo Dimas utilizou o Scrum, que se mostrou adequada para o gerenciamento ágil de projetos complexos. Já a estratégia seguiu o modelo do Succar, que envolveu desenvolvimentos incrementais nos processos BIM, com investimento em capacitação da equipe, a criação de um time BIM para alavancar o processo na empresa, além da associação com outras empresas e a divulgação do trabalho para o público externo. “Fez parte da estratégia revisar e organizar todo o fluxo de trabalho interno”, afirma.

Com tantos projetos, a empresa decidiu fatiar as atividades em entregáveis menores para garantir o foco necessário. “Resolvemos prototipar. Decidimos atuar na personalização do produto residencial para o cliente, que de um lado, representa um grande diferencial no posicionamento da construtora, mas, que de outro, é um fator que acaba gerando gargalos dentro do processo produtivo.”

Para isso, foram criados vários MVPs (Minimum Viable Product) dentro da prototipagem, atuando na quantificação, documentação, revisão e análise, compatibilização, gestão de custos, entre outros, que passaram a gerar dados para alimentar o manual de informação – com fluxo de trabalho testado e validado – e os planos de execução BIM, que norteiam todo o projeto. “Utilizamos um case, o empreendimento D/Garden Residence Club, onde modulamos uma torre, com foco em um apartamento, para entender como deveria ser a modelagem sob a ótica de quem vai executar o empreendimento”, conta. 

Segundo a gerente, o resultado tem sido positivo tanto na identificação de problemas no projeto, como na experiência com o cliente, possibilitando a visualização do apartamento em 3D com as realidades virtual e aumentada. Além disso, houve melhoria no relacionamento com os projetistas, que passaram a aderir a metodologia scrum para o processo interno dos seus escritórios, bem como com as empresas desenvolvedoras de softwares para a construção civil, que utilizam a construtora como laboratório para aperfeiçoamento e desenvolvimento de novos produtos.