veja nosso
último artigo

Tecnologia 26 de Agosto de 2019

Desafios do BIM na construção: França e Associados

No terceiro artigo da série, conheça os desafios da empresa na implementação do BIM para projetos estruturais 

A decisão de adotar o BIM (Modelagem da Informação da Construção) surgiu quando o escritório França e Associados estava focado na otimização de processos para garantir a segurança da informação disponibilizada para os seus clientes. A implantação foi iniciada em junho de 2015 e, a partir daí, foram seis meses de pesquisa, customização, mapeamento de processos e treinamento da equipe para iniciar um projeto-piloto.

O sócio do escritório, Reinaldo Kaizuka, conta que o processo desenvolvido internamente é um pouco diferente do que tem sido utilizado pelo mercado. “Optamos por trabalhar com duas ferramentas - TQS e Revit - em paralelo, as quais se interagem e se complementam ao longo de todo o processo. Trata-se de um processo híbrido, onde conseguimos usufruir dos benefícios da interoperabilidade entre os softwares, explorando cada um em sua área de melhor performance”, explica.

Segundo ele, o TQS é o software utilizado para as análises e cálculos estruturais, detalhamento e gerenciamento dos desenhos de armações. “É ele que gera a base inicial para a nossa modelagem virtual”, afirma. Já o Revit, é o software utilizado para a modelagem virtual da estrutura, geração e gerenciamentos das documentações 2D e levantamento dos quantitativos de concreto.

Na prática, funciona da seguinte maneira: os estudos preliminares são iniciados no TQS, onde é possível analisar todas as questões estruturais de forma rápida, com bastante precisão. Nesta etapa inicial, o Revit não é utilizado. Todos os estudos e informações volumétricas do modelo são extraídos direto do modelo TQS (através de IFC). Uma vez consolidada a estrutura, o projeto prossegue com a participação do Revit, após a exportação da base do TQS.

Dentro do Revit, são feitos os ajustes e modelagens necessárias para a complementação da estrutura, uma vez que a base gerada pelo TQS é simplificada e incompleta. A partir daí, toda e qualquer alteração estrutural é reproduzida no modelo do Revit e validada no modelo do TQS para que, ao final do processo, existam dois modelos idênticos, um para geração das documentações (Revit) e outro para o detalhamento das armações (TQS).

Kaizuka conta que no Revit são modelados desde elementos estruturais básicos (lajes, vigas e pilares), até os elementos mais complexos, como escadas, rampas, cortinas, fundações, entre outros. “Após a finalização do modelo Revit, temos um modelo BIM com LOD (Level of Development) 350, onde todos os elementos estão modelados de forma precisa, em termos qualitativos, tais como dimensões e locação dos elementos estruturais, com informações necessárias para a extração das documentações 2D e outros dados importantes para quem as executa, como planejamento, orçamento, fabricação, montagem e construção”, acrescenta.

Desafios

Na visão de Kaizuka, o maior desafio na implantação do BIM foi a mudança cultural na condução dos projetos. “Foi necessário aprender a trabalhar em um ambiente espacial e colaborativo, com procedimentos e processos totalmente novos em relação aos utilizados até então”, diz. 

Para ele, a superação desse desafio foi facilitada pela experiência e suporte transmitidos a todos pela equipe responsável pela implantação do BIM. “Foram feitos diversos treinamentos, assim como manuais internos que agilizaram a difusão de boas práticas e padronizações no modo de trabalho”, afirma. 

De acordo com o sócio, outro desafio, ainda em fase de superação, é a reavaliação do fluxo dos projetos, no qual as decisões precisam ser tomadas pelos agentes envolvidos já nas fases iniciais de projeto, pois a obra está sendo construída virtualmente. “Essas providências não eram feitas com tanta antecedência no processo CAD de desenvolvimento de projeto. Essa nova cultura de antecipação de tomada de decisões ainda está em fase de compreensão pelos agentes envolvidos”, conta.

Segundo Kaizuka, os benefícios colhidos com a utilização da plataforma BIM são diversos, sendo que o principal deles é a integração total entre o modelo estrutural 3D e as documentações 2D. Além disso, é possível citar a melhoria na compatibilização e entendimento do projeto, a facilidade na antecipação de incompatibilidades e a facilidade com o gerenciamento de folhas e revisões. “Identificamos também a redução drástica em retrabalhos, tanto em projeto como em obra. Sem dúvida, o BIM veio, de forma irreversível, para agregar muito ao nosso processo de trabalho”, alega.

“Desafios do BIM na Construção” é uma série de 04 artigos que aborda como a Building Information Modeling tem sido adotada pelas construtoras, fabricantes e projetistas que integram a Rede Construção Digital. Na última semana, apresentamos a experiência com o desenvolvimento do Sistema Unificado do Processo de Obras (OPUS), baseado em BIM, realizado há 15 anos, pelo Exército Brasileiro. Clique aqui e confira.