veja nosso
último artigo

15º EDG 5 de Dezembro de 2019

15º EDG discute a retomada do mercado imobiliário

Profissionais da cadeia produtiva, do ramo imobiliário e convidados se reuniram nesta quarta-feira (04/12) para participar do 15º Encontro de Diretores e Gestores da Construção. O evento ocorreu na sede do SECOVI-SP e discutiu a retomada do mercado imobiliário e os novos desafios das empresas do setor. Foram mais de 8 horas de palestras e debates com os principais líderes da área para disseminar novas ideias e as tendências para o futuro do setor.

O CEO do CTE/enredes, Roberto de Souza, abriu a programação pontuando os principais destaques do dia, contou brevemente a jornada do CTE/enredes ao longo dos últimos anos e a necessidade do setor da construção se atentar para os novos desafios. “Muita coisa mudou para melhor no setor, porém precisamos ter um olhar bastante profundo para não errar da mesma forma que ocorreu no passado. É necessário pensar na melhora da produtividade, satisfação do cliente, sustentabilidade e os passos para o futuro. Para isso, é fundamental mudar o mindset. Hoje o mercado oferece uma oportunidade para sairmos de uma crise e caminhar para uma jornada muito positiva”, afirmou Roberto.

Em seguida, Edu Lyra, CEO da ONG Gerando Falcões e um dos jovens mais influentes do Brasil segundo a Revista Forbes, contou sobre como a Gerando Falcões se tornou uma rede de ONGs com impacto sobre 50 mil pessoas, com foco em eficiência em gestão, escala, uso de tecnologia e treinamento de líderes. “Vamos saltar de 50 para 1200 favelas que vão utilizar novas tecnologias. Isso representa 20% das favelas do país. Nós queremos passar uma mensagem clara para o mundo: o nosso hexa é fazer com que as crianças aprendam a ler e escrever e que os nossos jovens tenham educação de qualidade”, disse.

Edu reforçou que a maior crise que um líder precisa enfrentar é dentro dele mesmo. “Agora que novos tempos estão chegando para a construção, os líderes precisam estar prontos dentro de si mesmos para serem capazes de construir coisas incríveis”. Ele ainda pontuou o papel do líder nas organizações hoje. “No meio da fome e do caos, minha mãe foi a maior empreendedora e líder que já tive. Ela dizia ‘Não importa de onde você vem. Na vida, o que importa é para onde você vai’. Liderança não é olhar pelo retrovisor, mas olhar para frente, enxergar à noite o que ninguém vê durante o dia. Liderança é sobre todas as metas que vamos bater nos próximos anos, não sobre àquelas que não atingimos. A essência do líder é acreditar. Se ele não acredita, você ficará preso no passado. Vocês estão preparados para o futuro?”, provocou.

PAINEL 1

Com o tema “Redução da taxa de juros, mercado de capitais e crescimento sustentável no mercado imobiliário”, o primeiro painel do dia contou com a participação de Emilio Fugazza, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da EZTEC e Vitor Bidetti, CEO da BREI. Emílio falou sobre a performance operacional da empresa, como a companhia enfrentou a crise e está vivendo o melhor trimestre desde a sua fundação. “A redução da taxa de juros ao longo dos últimos anos facilitou para que alcançássemos uma gama maior de clientes, que agora dependem de uma renda mais baixa e contam com parcelas mais tranquilas na aquisição do imóvel. Isso é uma mudança absolutamente significativa e inclusiva para o nosso setor”, explicou Fugazza.

Já Vitor Bidetti abordou o papel do mercado de capitais e dos fundos de investimentos no novo ciclo do mercado imobiliário. Ele ainda pontuou que estamos vivendo uma situação única e inédita das condições macroeconômicas. “Tivemos um momento de taxa de juros aparentemente baixa em 2012 e 2013, mas pela primeira vez a níveis mais baixos: as projeções apontam uma previsão de 4% para o ano que vem. Isso é uma quebra de paradigma e os segmentos que mais devem se beneficiar disso são o imobiliário e de infraestrutura. É possível prever um ciclo de 5 anos de estabilidade de preços, inflação e taxas de juros a níveis muito baixos”, disse.

Durante o debate, a plateia questionou como as empresas poderiam crescer se ainda não contam com uma cadeia produtiva forte. O CEO do CTE/enredes, Roberto de Souza, foi enfático ao afirmar: “O nosso setor é esfacelado, não tem pensamento estratégico, não pensamos setorialmente. Vamos começar um ciclo produtivo onde cada um está no seu quadrado. São em torno de 750 entidades de classe e cada uma olhando para o próprio umbigo. Por não olharmos como um todo, vamos repetir a mesma história de sempre. É por isso que o enredes, unidade de negócio do CTE, criou a Rede Construção Digital, que tem um papel de articulação setorial e tem chamado as empresas para esse jogo”.

PAINEL 2

No segundo painel, Caio Bonatto, CEO da Tecverde, Luiz Henrique Ceotto, Diretor técnico da Urbic e Bruno Balbinot, CEO da Ambar, discutiram a industrialização e inovação em sistemas construtivos. Bonatto apresentou o sistema industrializado em wood frame para construção habitacional utilizado pela empresa e como o setor pode se tornar mais competitivo e rentável por meio da industrialização. Caio afirmou que o principal ativo hoje da empresa não é a tecnologia, não são as máquinas, mas sim a cultura. “A gente percebe que a mudança de cultura seja o maior desafio dentro do setor, porque dinheiro para comprar máquina, contratar engenheiros as empresas têm, mas formar uma cultura do zero para a industrialização da construção é algo que demora para se construir”.

Em seguida, Luiz Henrique abordou a construção modular e os novos modelos de incorporação que estão sendo utilizados pela Urbic. Um dos pontos destacados por Ceotto durante a palestra foi a urgência de mudança de mindset da indústria da construção brasileira. “Se continuarmos com o nosso setor todo desorganizado, aceitando tributação em produtos industrializados e métodos de obra obsoletos, não adianta. O tempo todo temos dado respostas erradas às questões setoriais e, se mantivermos isso, não sairemos do lugar”, afirmou.

Na sequência, Bruno Balbinot traçou um paralelo ente o setor da construção e a indústria automobilística. Para ele, a construção possui duas alavancas importantes para sua transformação: a industrialização e a digitalização. “Quando entrei na construção civil eu vi que faltava um pedaço. Na indústria automobilística, por exemplo, você tem todas as matérias-primas que viram componentes e depois viram produtos. Na construção, os materiais viram produto no canteiro de obra com muita mão de obra e desperdício. Ou seja, o nosso setor precisa mudar. Do jeito que ele está organizado não temos produtividade e, quando vamos aderir com novas tecnologias temos que enfrentar uma barreira cultural e não vamos desistir”, destacou Bruno.

PALESTRAS E MESA REDONDA

No período da tarde, o diretor geral da WeWork no Brasil falou sobre como os espaços de coworking e o modelo de negócios focado em locação de imóveis está transformando a maneira como nos relacionamos com o ambiente de trabalho. “O espaço precisa refletir a cultura da empresa. É por esse motivo que temos trabalhado com empresas que estão se reinventando e precisam olhar para o que elas falam combinar com o que elas são. Acreditamos na melhora do cenário econômico aqui no Brasil e por isso estamos trazendo uma nova modalidade para trabalhar com as construtoras e incorporadoras no país, em um modelo que é muito parecido com os hotéis”, disse.

A moradia estudantil como impulsionadora do mercado imobiliário foi o tema da palestra de Juliano Antunes, CEO da Uliving. Segundo ele, é preciso mudar o jeito de estudantes e jovens viverem nas grandes cidades. “Os espaços são projetados de forma que os estudantes se sintam em casa e possam viver em comunidade. Hoje temos um número muito grande de estudantes que se deslocam para outras cidades atrás de melhores oportunidades, melhores faculdades e isso tem impulsionado nosso setor”, afirmou Juliano.

Ubirajara Spessotto, CEO da Tegra Incoporadora, apontou as novas estratégias que serão necessárias diante do novo ciclo do mercado imobiliário e do comportamento dos consumidores. “Temos o hábito de superestimar os problemas que vão acontecer nos próximos dois anos e subestimar o que vai acontecer nos próximos dez. A gente tem que agir fortemente no dia a dia, mas sempre pensando nas consequências nos próximos 10 ou 15 anos”, ressaltou.

Em seguida, Rodrigo Luna, CEO da Plano&Plano, traçou um panorama dos desafios da habitação econômica e o Programa Minha Casa Minha Vida. Luna destacou que para se resolver o problema de habitação da população de baixa renda, é necessária uma política de Estado focada e bem regulamentada. “O grande desafio da habitação no mundo é a baixa renda. Ou o Estado está empenhado nisso, ou as consequências que isso produzirá para a sociedade serão gigantescas. Não se fala de saúde e de educação sem habitação. Ela deve ter a mesma preocupação por parte dos governos e entidades públicas”.

Na última palestra, André Glogowsky, conselheiro da HTB, discutiu os desafios das empresas do futuro em relação à industrialização, sustentabilidade e transformação digital. “Estamos em um momento mágico e de disrupção por conta do uso das novas tecnologias. Está acontecendo com uma grande velocidade em diversos mercados, porém o setor imobiliário e da construção ficaram para trás. Nós podemos ter uma produtividade linear, mas só teremos um salto se incorporamos, sem medo, as inovações tecnológicas e o sistema industrializado em nossos processos. É desafiador, mas já começamos a nos mover e estamos mais atentos a essas questões”, concluiu.

Para encerrar a programação, Roberto de Souza (CTE/enredes), Lucas Mendes (WeWork), Ubirajara Spessotto (Tegra Incoporadora) e André Glogowsky (HTB) realizaram uma mesa redonda para aprofundar o debate e responder os questionamentos dos ouvintes sobre a retomada do mercado imobiliário os desafios das empresas da cadeia produtiva.